TSE vai discutir com TRE do Rio ação contra tráfico na eleição

Candidatos a prefeito na cidade tem sofrido veto para fazer campanhas em favelas controladas pelo tráfico

Andréia Sadi, do estadao.com.br

28 de julho de 2008 | 13h11

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai se reunir nesta quarta-feira com o presidente do Tribuanl Regional Eleitoral do Rio, Roberto Wider,  para discutir o uso da Polícia Federal nas eleições municipais do Rio. Segundo TSE, o ministro sinalizou que o encontro acontecerá em Brasília, mas o local ainda não foi confirmado.    Britto discutiu o assunto nesta manhã com Raul Jungmann (PPS-PE), da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados, e o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Britto disse, no entanto, que só decidirá após conversar no TRE-RJ.   "O deputado me trouxe informações precisas de quem conhece a realidade do Rio de Janeiro, mesmo não sendo de lá. O retrato que ele projetou pareceu fidedigno. Todavia, de nossa parte, mantivemos hoje dois contatos com o presidente do TRE do Rio, Roberto Wider e ele virá na próxima quarta-feira para fazer um levantamento completo do que houve no Complexo do Alemão e sugerir providências eficazes que nós tomaremos – as autoridades estaduais e federais", esclareceu o presidente do TSE.   Veja também: Candidatos reagem a 'currais' do tráfico e milícias no Rio Tarso quer PF para apurar atuação do tráfico em eleição no Rio No Rio, candidata faz campanha com escolta Deputado suspeito de ligação com milícias é preso no Rio Conheça os candidatos nas principais capitais  Calendário eleitoral das eleições deste ano  Especial tira dúvidas do eleitor sobre as eleições    Veja as regras para as eleições municipais     Segundo o TSE, Jungmann sugeriu ainda, que Justiça Eleitoral possa impedir essas candidatura e até cassar, se for o caso, os eleitos.    Os candidatos a prefeito na cidade tem sofrido veto para fazer campanhas em favelas controladas pelo tráfico de drogas e milícias no Rio. No último sábado, criminosos ameçaram jornalistas que acompanhavam uma caminhada de Marcelo Crivella (PRB) pela Vila Cruzeiro. Fotógrafos de três jornais foram obrigados por traficantes, um deles armado com um fuzil, a apagar fotos de suas câmeras feitas durante o corpo-a-corpo. Os traficantes apareciam em fotos registradas quando o candidato tentava cumprimentá-los.    A atuação da Força Nacional de Segurança no Rio de Janeiro durante as eleições não depende exclusivamente de pedido do governo do Estado. A Justiça Eleitoral também pode requisitar a presença da Força, segundo afirmação do ministro da Justiça, Tarso Genro, nesta segunda-feira, 28. Para o ministro, a situação de insegurança no Rio já atinge a esfera político-eleitoral, o que requer uma atuação rápida. "O combate ao crime organizado em certos lugares onde há ausência do Estado é questão política chave, porque quando o crime se encontra com a política a situação fica mais complexa e mais difícil de resolver".   Na semana passada, Tarso defendeu a atuação da Polícia Federal para apurar a atuação do tráfico e milícias nas eleições do Rio. Ele disse que a PF está à disposição da Justiça Eleitoral para investigar possíveis interferências nas campanhas da capital fluminense. "A Polícia Federal está à disposição do Tribunal Regional Eleitoral para fazer as investigações que forem necessárias", disse o ministro. "Mas tem que haver um pedido expresso das autoridades para que isso ocorra", completou.   Jungmann já pediu que a PF investigue as ameaças de grupos paramilitares contra eleitores do Complexo do Alemão, na zona norte, e da Rocinha, na zona sul. A Polícia Civil do Rio já apura intimidações a moradores e o constrangimento a candidatos, impedidos de fazer campanhas políticas em áreas dominadas por quadrilhas. Na segunda-feira passada, a polícia prendeu o deputado estadual Natalino Guimarães (DEM) e seu irmão, o vereador Jerônimo Guimarães (PMDB). Eles são acusados de chefiar uma milícia na zona oeste, que constrangia os eleitores da localidade.     (Com  Roberta Pennafort, de O Estado de S. Paulo)   Texto atualizado às 15 horas

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