EVARISTO SA|AFP
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TSE nega recurso da defesa de Dilma sobre perícia em fornecedoras da campanha de 2014

Por unanimidade, plenário manteve decisão do ministro Herman Benjamin, relator das ações que pedem a cassação da chapa formada pela petista e pelo atual presidente Michel Temer

Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2016 | 00h32

BRASÍLIA - Por unanimidade, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu nesta terça-feira, 25, negar um recurso apresentado pela defesa da presidente cassada Dilma Rousseff, que pedia a realização de uma perícia complementar em empresas contratadas pela vitoriosa campanha que reelegeu a petista em 2014.

O plenário do TSE manteve a decisão do ministro Herman Benjamin, relator das ações que pedem a cassação da chapa formada por Dilma Rousseff e Michel Temer. O ministro, que é corregedor-geral da Justiça Eleitoral, já havia negado o pedido da petista no dia 7 de outubro.

Segundo Benjamin, a defesa de Dilma solicitava uma perícia complementar em cerca de 8 mil documentos. O relator destacou que entre esses documentos, “havia de tudo”, como fotografias que se referem às eleições de 2010 – e não a de 2014, alvo das ações –, imagens de material publicitário de outros candidatos e até fotografias que não comprovam o funcionamento de empresas contratadas pela campanha.

“Quando nós formos julgar essa matéria, qualquer um dos juízes poderá analisar esses elementos, e as próprias partes podem indicar ‘veja documento número tal’. O que estamos deliberando é que essa perícia complementar não será feita com base nesses documentos”, ressaltou Benjamin.

O laudo do TSE apontou uma série de irregularidades após analisar documentos relativos às gráficas Focal, VTPB e a Red Seg Gráfica, fornecedoras na campanha de Dilma em 2014, e registrou não ser possível afastar "desvio de finalidade dos gastos eleitorais para outros fins que não o de campanha".

Força-tarefa. Na semana passada, Benjamin determinou a criação de uma força-tarefa para se debruçar sobre documentos da investigação sobre a campanha que elegeu a chapa Dilma-Temer. Benjamin quer a atuação do Banco Central, Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em parceria com a Justiça Eleitoral para analisar os dados obtidos através da quebra de sigilo bancário das gráficas.

O coordenador jurídico da campanha de Dilma, Flavio Caetano, já classificou as conclusões da perícia realizada pelo TSE nas gráficas que prestaram serviços durante a eleição de 2014 para a chapa da petista como "absolutamente contraditórias e inconsistentes".

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