TSE autoriza envio das Forças Armadas às eleições do Rio

Tribunal tem carta branca para pedir tropas ao Ministério da Defesa; Britto quer conversar com Cabral antes

Gisele Silva, do estadao.com.br,

14 de agosto de 2008 | 21h11

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu nesta quinta-feira, 14, por unanimidade, autorizar o envio das Forças Armadas para garantir a segurança durante as eleições municipais no Rio. Com a decisão, os ministros do tribunal deram carta branca para que o presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, requisite tropas diretamente ao Ministério da Defesa. Antes, no entanto, Britto quer se reunir com o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que já manifestou a necessidade de tropas no pleito. Segundo o TSE, a decisão é atípica porque para os ministros a situação no Estado é 'caótica'. O trâmite normal é a Justiça eleitoral acionar os tribunais regionais, que, por sua vez, fazem o pedido de Forças Armadas ao TSE.   Veja também: Candidatos reagem a 'currais' do tráfico e milícias no Rio No Rio, candidata faz campanha com escolta Deputado suspeito de ligação com milícias é preso no Rio Conheça os candidatos a prefeito no Rio  Especial tira dúvidas do eleitor sobre as eleições    Veja as regras para as eleições municipais   Traficantes e milícias apóiam candidatos para tentar ter representação política e procuram obstruir a presença de outros candidatos em suas áreas de atuação. Desde o início da campanha, a Polícia Federal e o Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) têm recebido diversas denúncias de candidatos a vereador e prefeito que se dizem ameaçados e intimidados pelo tráfico ao tentar subir morros e ir a favelas na capital fluminense.    O ministro Carlos Alberto Menezes Direito, de quem partiu a proposta, explicou que a autorização dada nesta quinta vai dar agilidade ao processo, já que o presidente do TSE terá a prerrogativa de requisitar as tropas. Entre as providências que serão necessárias, estão o mapeamento e a indicação de quais zonas eleitorais necessitam do reforço da força federal.   Para dar uma resposta à questão, Britto e o presidente do TRE do Rio, Roberto Wider, chegaram a se reunir mais de uma vez para decidir uma força-tarefa. O último encontro há três dias contou com a presença do Ministro da Justiça, Tarso Genro.   Após a reunião, Britto e Wider anunciaram que uma campanha institucional sobre a garantia do sigilo de voto será feita no rádio e na televisão para tentar diminuir o efeito das pressões de candidatos que procuram dominar áreas específicas da cidade, nos chamados currais eleitorais. O presidente do TSE anunciou ainda que a PF dará prioridade aos inquéritos que investigam a tentativa de monopólio de propaganda por parte dos candidatos em determinadas regiões.   Britto disse também que os candidatos que se sentirem inseguros para fazer campanha em determinadas áreas poderão solicitar o policiamento ostensivo na região. Wider afirmou também que dentro de dez dias receberá da Polícia Federal um relatório sobre as investigações da atuação de milícias ou de traficantes impedindo candidatos de fazerem campanhas livremente em favelas e outras comunidades pobres da cidade.

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