'Troquei de cartões na compra do freeshop', diz Matilde à CPI

Ex-ministra pivô do escândalo se defende dizendo que se enganou e que a despesa foi um 'caso isolado'

da Redação

09 de abril de 2008 | 13h09

A ex-ministra da Igualdade Racial Matilde Ribeiro disse nesta quarta-feira, 9, que houve uma troca de cartões nas compras no episódio do freeshop, onde gastou R$ 461,16. Ela disse à CPI dos cartões corporativos que se equivocou e que o fato foi um "caso isolado".  "Quero aqui ressaltar que foi um fato isolado dentro da minha agenda de trabalho, e ao tratamento da verba pública. Quero dizer que houve troca de cartões, tenho um cartão pessoal da mesma cor e bandeira do governo federal", disse. A  ministra depôs após o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, que defendeu o sigilo dos gastos da Presidência. Veja também: Ouça o 'melô dos cartões' À CPI, diretor da Abin defende sigilo da Presidência ARQUIVO:  Secretária da Igualdade Racial é líder em gastos, revela Estado  Gastos com cartões já somam R$ 9 milhões em 2008Os ministros caídos  Entenda a crise dos cartões corporativos  A crise dos cartões começou em 13 de janeiro, quando o jornal O Estado de S. Paulo publicou reportagem, segundo a qual os gastos com cartão corporativo no governo Lula dobraram em 2007 com relação ao ano anterior. A edição trouxe Matilde Ribeiro como líder no ranking dos ministros que mais gastaram nos dois últimos anos.  Matilde Ribeiro, que pediu demissão do cargo, teria usado o cartão para fazer compras em free shops, aluguel de carros e restaurantes. No total, os gastos da ministra chegaram a R$ 171,5 mil, dos quais R$ 121,9 mil para locação de veículos, sempre pagos à mesma empresa. O valor é considerado um recorde na Esplanada dos Ministérios. Ainda nesta quarta, será ouvido o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda.  Em março deste ano, a Controladoria-Geral da União (CGU) decidiu que R$ 22.405,87 gastos pela ex-ministra não "foram suficientemente justificados". Do total, segundo a CGU, R$ 2.920,35 deveriam ter "devolução imediata". O valor refere-se a pagamento de horas extras aos motoristas dos veículos alugados por Matilde em viagens oficiais. Segundo a CGU, os gastos de ressarcimento imediato incluem aluguel com veículos em locais onde ela não estava e locação em horários superpostos. Ainda conforme a reportagem do Estado, Matilde gastou em 2007 R$ 171,5 mil com o cartão. Destes, R$ 127,7 mil correspondiam a aluguel de carros, quase sempre da mesma empresa, a Localiza. A auditoria da CGU também recomendou a devolução de R$ 745,80, referentes a despesas indevidas com alimentação: ela teria pago refeições de terceiros. Apontou ainda falhas formais, como comprovantes com "descrições genéricas", e documentação "incompleta e mal organizada". O gasto de R$ 461,16 em uma duty free de aeroporto internacional não foi detalhado ou qualificado pelos auditores da CGU.

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