Tropas podem ficar no Rio até o segundo turno

Justiça decidiu pedir envio das forças depois que candidatos e imprensa foram intimidados por traficantes

REUTERS

08 de setembro de 2008 | 14h42

A Justiça Eleitoral e as Forças Armadas estudam a manutenção das tropas federais no Rio de Janeiro até a conclusão do segundo turno das eleições municipais, revelou nesta segunda-feira o vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), Alberto Motta Moraes. A Justiça Eleitoral decidiu pedir ao Executivo o envio das forças federais ao Rio de Janeiro, depois que candidatos e a imprensa foram intimidados por traficantes de drogas durante a campanha eleitoral. Outra preocupação é com a atuação de milícias, que também estaria pressionando os eleitores. De acordo com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a missão dos militares no Rio começará nesta semana, será itinerante e contará com um efetivo de 450 a 900 homens. "A grande área de atrito está na eleição proporcional, mas a idéia é que possa ter também até o segundo turno (a presença dos militares). Isso não está definido", declarou Motta Moraes a jornalistas depois de se reunir com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Ayres Britto. O primeiro turno será realizado no dia 5 de outubro. Já o segundo está agendado para o dia 26 do mesmo mês. As eleições de vereadores, que ocorre no sistema proporcional, será apenas na primeira etapa. As eleições para prefeito são majoritárias. Segundo o vice-presidente do TRE fluminense, que assumirá a presidência da Corte na próxima segunda-feira, as regras de engajamento das tropas ainda não foram definidas. No dia das eleições, no entanto, revelou, os soldados do Exército e os fuzileiros navais enviados ao Rio terão de seguir as mesmas normas fixadas à polícia. Os militares não poderão, por exemplo, permanecer a menos de 100 metros das zonas eleitorais. Perguntado se os militares enfrentarão resistências de milicianos e traficantes, Motta Moraes demonstrou otimismo. "A possibilidade de confronto sempre há, mas acredito que ela seja muito remota", respondeu.

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