Tropa de choque vasculha despesas de senadores

Grupo mantém tática de ameaças a parlamentares que insistem em cobrar renúncia do presidente do Senado

Leandro Colon, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

05 de agosto de 2009 | 00h00

A tropa de choque do presidente José Sarney (PMDB-AP) manteve ontem a tática iniciada na segunda-feira de fazer ameaças aos que pedem a renúncia do senador. A estratégia é levantar as despesas dos senadores e buscar antigas denúncias e novas informações que possam intimidar adversários. Na mira estão tucanos, peemedebistas que não fazem parte da tropa e até petistas que defendem a saída de Sarney da cadeira de presidente do Senado. Um dos comandantes do grupo, Wellington Salgado (PMDB-MG), anunciou que deve finalizar hoje o pente-fino que mandou fazer nas centenas de atos secretos editados nos últimos anos. Aos jornalistas, avisou que os ex-presidentes Garibaldi Alves (PMDB-RN) e Tião Viana (PT-AC) são os campeões de boletins sigilosos nos últimos anos. "Meus assessores ainda encontraram muita coisa anunciada de maneira errada", afirmou. Salgado quer apresentar o resultado na reunião de hoje do Conselho de Ética. Em plenário, o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), disse ao próprio Sarney que esse tipo de ameaça pode prejudicá-lo. O tucano foi o primeiro alvo, após a revelação de que o Senado gastou R$ 216 mil com um assessor que passou 18 meses estudando no exterior com salário pago pela Casa. Virgílio já devolveu R$ 60 mil. "Mas eu tomo a atitude de vir a esta tribuna e fazer uma autocrítica, tomo a atitude de não mentir, tomo a atitude de não tergiversar", afirmou ontem em plenário, dirigindo-se ao senador Sarney. Aliados do presidente do Senado não poupam nem integrantes da bancada do PT. Relembram e ameaçam, em conversas reservadas, abrir processo contra Tião Viana, por causa dos gastos telefônicos de R$ 14,7 mil de sua filha, numa viagem ao México, em janeiro. Viana alega ter emprestado o telefone à filha para saber notícias dela e já devolveu o dinheiro à Casa. "Assumi o erro e não devo nada ao Senado", afirmou o senador que disputou com Sarney a presidência do Senado no mês de fevereiro. Outro que entrou na mira foi o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que tem defendido abertamente a saída do presidente do Senado. Aliados de Sarney passaram os últimos dias vasculhando as despesas médicas do senador em busca de uma suposta cirurgia plástica que teria sido feita pela ex-mulher de Suplicy, Marta Suplicy, com dinheiro do Senado. Ele negou que isso tenha ocorrido. "Isso já foi esclarecido há quatro meses. Em 2001, ela fez uma cirurgia de tireoide, quando ainda era casada legalmente comigo. A cirurgia plástica não foi paga pelo Senado", afirmou. Ontem, o peemedebista Pedro Simon (PMDB-RS) passou o dia explicando as insinuações do líder do PMDB, Renan Calheiros (AL). Assessores do senador alagoano o orientaram a relembrar o episódio da compra de carne contaminada pelo acidente na usina nuclear de Chernobyl, na então União Soviética. Renan tentou vinculá-lo ao período em que Simon foi ministro da Agricultura do governo Sarney. Só que o acidente radioativo ocorreu em abril de 86, dois meses depois de Simon deixar o cargo. Renan também citou o banco Porto do Sol, do Rio Grande do Sul. Um filho de Simon já foi diretor da instituição.

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