Tropa de Choque tira MST da USP

Militantes haviam ocupado Faculdade de Direito na tarde de terça-feira e pretendiam ficar acampados até hoje

Moacir Assunção, Paulo Darcie, Eduardo Kattah, Elder Ogliari, Carmem Pompeu e Roldão Arruda, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2023 | 00h00

Prevista para durar 24 horas, a ocupação do prédio da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), por estudantes e militantes de movimentos sociais, durou pouco mais de 9 horas. Eram cerca de 350 manifestantes, que chegaram às 17 horas ao Largo São Francisco e entraram no prédio, onde pretendiam ficar acampados. Mas, na madrugada, às 2h10, foram expulsos, numa operação executada por 69 soldados do Pelotão de Choque da Polícia Militar e da Força Tática.A ocupação fazia parte da Jornada Nacional de Lutas pela Educação, promovida por movimentos estudantis e sociais, entre os quais a União Nacional dos Estudantes (UNE) e o Movimento dos Sem-Terra (MST). Ontem à tarde, os manifestantes voltaram ao Largo São Francisco para um ato público contra a ação da polícia - cuja entrada na faculdade foi solicitada pelo seu diretor, João Grandino Roda.Durante o ato, vários oradores afirmaram que desde o período da ditadura militar a escola não era invadida por policiais. Segundo a presidente da UNE, Lúcia Stumpf, "a atuação da tropa de choque foi antidemocrática". "Estávamos ocupando um território livre, em uma ocupação pacífica pela melhoria das condições de ensino", afirmou.A faculdade amanheceu cheia de cartazes de protesto. À tarde, os portões foram fechados por determinação da diretoria. Nem mesmo os professores e alunos conseguiram entrar.Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública, 98 estudantes foram levados na madrugada ao 1º Distrito Policial, ouvidos e liberados. Ainda de acordo com a secretaria, uma equipe do Instituto Médico Legal (IML) esteve no local e não constatou agressões.Para Marcos Minari,diretor do Centro Acadêmico 11 de Agosto, os policiais usaram de "violência desmedida". Segundo seu relato, eles encurralaram os estudantes na sala do Centro Acadêmico: "Usando escudos, foram pressionando a gente, entrando até na sala do centro acadêmico, que é um espaço dos estudantes. Quando deixamos o prédio, ficamos presos na Rua Riachuelo. Não deixaram nem nossos advogados se aproximarem."O acampamento na escola teria sido negociado com o vice-diretor, Nestor Duarte, segundo os líderes da manifestação. Entre os estudantes, porém, não há plena concordância quanto à sua realização. "Não apóio a ação do Centro Acadêmico. Até os alunos tiveram dificuldades para entrar no prédio, tomado pelos manifestantes", disse Fábio Rocha Silva, aluno do segundo ano.CONTRA CORTESOntem também ocorreram manifestações em outras capitais, dentro da jornada de lutas em defesa da educação pública. Em Porto Alegre, os protestos levaram cerca de duas mil pessoas às ruas e provocaram congestionamentos na zona central da cidade. Os manifestantes atacaram principalmente o governo de Yeda Crusius (PSDB), que cortou parte das verbas do transporte escolar e decidiu formar turmas de 50 alunos no ensino fundamental e médio - para reduzir custos.Em Fortaleza, cerca de 120 manifestantes bloquearam parte da Avenida Dedé Brasil, em frente ao campus da Universidade Estadual do Ceará. Mais tarde eles ocuparam o prédio da reitoria, de onde só pretendem sair amanhã.O vice-reitor, João Nogueira Mota, recebeu um grupo de manifestantes. Eles entregaram uma lista de reivindicações, assinada por várias entidades. Entre outros itens, pedem o fim das taxas nas universidades públicas.Em Belo Horizonte, o prédio da Ferrovia Centro Atlântica (FCA), empresa controlada pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), foi invadido por sindicalistas, líderes sem-terra, estudantes e professores.Cerca de 120 manifestantes ocuparam no início da tarde o quarto andar do prédio, onde está sediada a Diretoria de Energia da Vale. A Polícia Militar foi chamada e os invasores começaram a ser retirados do prédio por volta das 16 horas.

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