Tropa de choque manterá confronto

Aliados de Sarney argumentam que já silenciaram por muito tempo, perderam terreno e não mais se calarão

Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

08 de agosto de 2009 | 00h00

O "bateu, levou" no Senado veio para ficar. Um dia depois do bate-boca entre o líder do PMDB, Renan Calheiros (AP), e o senador tucano Tasso Jereissati (CE), no plenário da Casa, os principais líderes da tropa de choque em defesa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), se dizem "conciliadores", mas advertem que conciliação não significa abrir mão de responder e encurralar a oposição. Argumentam que ficaram seis meses apanhando calados, perderam terreno, e não se calam mais. Líderes e presidentes de partido que ensaiaram movimentos ontem, na tentativa de conter os ânimos no Senado, concluíram que a "pancadaria" vai mesmo se arrastar. Representante do PT no Conselho de Ética, o senador Delcídio Amaral (MS) foi um dos que tentaram reabrir o diálogo com o PMDB e a oposição, mas parou depois do segundo telefonema. "Está todo mundo sob o impacto do último confronto e, como a crise é muito desgastante, os nervos estão à flor da pele", constatou, na certeza de que a melhor conduta seria deixar que a poeira baixasse e retomar as conversas a partir de segunda-feira.Sarney também avalia que o ambiente ficou radicalizado demais e está preocupado. Aos bombeiros que o procuraram, admitiu que é preciso fazer uma costura política para tentar "resolver as cicatrizes", mas não tomará a iniciativa para recompor o clima de civilidade. Deixou claro a interlocutores que já fez seu apelo pela pacificação, está magoado e não dará o primeiro passo.O presidente da Câmara e presidente licenciado do PMDB, deputado Michel Temer (SP), já vinha conversando com líderes da base aliada e da oposição e resolveu prosseguir suas articulações ontem. "O que tenho feito é apelar pela serenidade", explicou Temer, depois de falar por telefone com o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), e com o líder petista Aloizio Mercadante. A dificuldade maior para uma recomposição deve-se ao fato de que ninguém está arrependido do que disse ou fez nas últimas 48 horas. A oposição insiste na tese do afastamento de Sarney e não vai desistir da luta que, avalia, pode desgastar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo, por sua vez, entende que o jogo é a sucessão de 2010 e, por isso, os ataques não vão cessar.Governistas do Senado já fizeram chegar ao Planalto a informação de que o PSDB e o DEM estão dispostos a investir na crise. O objetivo seria colar a imagem de Sarney a Lula, na esperança de desgastá-lo e enfraquecer a candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.Neste cenário, a base aliada está preocupada com Fernando Collor (PTB-AL). Para Mercadante, a representação do PMDB contra o líder tucano Arthur Virgílio (AM) e os ataques "estilo Renan-Collor" ampliaram a crise, que antes estava focada na presidência do Senado.Agora, no entanto, a avaliação geral é a de que a crise tem novo foco, centrado em Renan. Na quinta-feira, Renan foi procurado por líderes da oposição, do governo, do PT e até por correligionários do PMDB com o mesmo apelo. Todos articulavam o chamado "pacto da sensatez" e queriam que ele evitasse a leitura da representação contra Virgílio da tribuna do Senado. Não tiveram sucesso. "Avisei ao PSDB, com toda a cordialidade, que leria a representação, porque eles elevaram o patamar e o tom, quando partidarizaram a crise e representaram contra Sarney", defende-se o líder do PMDB.

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