''Tropa de choque'' domina conselho para livrar Sarney

Cúpula do PMDB e partidos da base escolhem a dedo grupo que decidirá pedido para investigar atos secretos

Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

10 de julho de 2009 | 00h00

Para impedir qualquer investigação contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a cúpula do PMDB e os partidos da base aliada indicaram parlamentares da chamada "tropa de choque" para integrar o Conselho de Ética da Casa. A estratégia é arquivar a representação do PSOL contra Sarney e o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), ex-presidente da Casa, para que sejam investigados os 663 atos secretos baixados nos últimos 14 anos, que beneficiaram correligionários e parentes dos dois senadores.   Especial multimídiaCom o controle de 10 do total de 15 votos de titulares do conselho, os governistas vão blindar Sarney e usar como argumento para arquivar a representação o fato de a maioria dos atos secretos ter sido editada na legislatura passada. Sarney foi reeleito para o Senado em 2006 e tomou posse no novo mandato em 1º de fevereiro de 2007. Assessores jurídicos do Senado apontam que o artigo 14 do regulamento do Conselho de Ética prevê o arquivamento de representação "se os fatos relatados forem referentes a período anterior a mandato ou se forem manifestamente improcedentes".Segundo a representação do PSOL, 15 pessoas ligadas ao presidente do Senado teriam sido beneficiadas com os atos secretos. A oposição quer investigações, entre outros personagens, sobre um neto do senador, José Adriano Sarney, proprietário de uma das empresas que trabalham com empréstimos consignados para servidores do Senado. A suspeita é de que ele tenha sido favorecido nas negociações.Sem integrantes desde 6 março, quando venceu o mandato de dois anos dos antigos conselheiros, o Conselho de Ética estava parado por falta de indicação de seus 15 titulares e 15 suplentes. Agora, os aliados escolheram a dedo quem vai compor o conselho. Pelo PMDB, serão os senadores Wellington Salgado (MG), Almeida Lima (SE), Gilvam Borges (AP) e Paulo Duque (RJ). Os quatro são conhecidos por seguir as determinações da cúpula do partido, controlado por Renan e Sarney no Senado, sem medo de ficar mal junto a opinião pública. Dos quatro, dois são suplentes - Salgado e Paulo Duque. O PT optou por ficar com uma das quatro vagas de titulares. Foram indicados os senadores Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), João Pedro (PT-AM), João Ribeiro (PR-TO) e Inácio Arruda (PC do B-CE). As quatro vagas de suplente ficaram com petistas. A tropa de choque de Sarney se completa com designação do líder do PTB, Gim Argello (DF), e do senador João Durval (PDT-BA) para o conselho. Na oposição, o DEM indicou os senadores Demóstenes Torres (GO), Heráclito Fortes (PI) e Eliseu Resende (MG). Os tucanos nomearam Marisa Serrano (MS) e o presidente do partido, Sérgio Guerra (PE).

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