Tropa de choque agora adota discurso independente

Almeida Lima, por exemplo, diz que não é órfão de Renan e nunca dependeu dele ?para nada?

Expedito Filho e Ana Paula Scinocca, O Estadao de S.Paulo

16 de outubro de 2007 | 00h00

Desde o pedido de licença do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na última quinta-feira, uma legião de senadores que o defendiam de forma apaixonada tornaram-se racionais e frios. Símbolo maior do empenho na defesa de Renan, o senador Almeida Lima (PMDB-SE) não se considera nem sequer um órfão do presidente licenciado e, agora, quer reavivar episódios nos quais estavam em lados opostos. "Não me sinto órfão. Eu não morro de amores por Renan Calheiros, mas sim pelo Estado de Direito. Já fui adversário do Renan na tribuna do Senado no caso José Dirceu um ano antes de ele cair", afirmou. Mais do que isso: Almeida Lima jura que na disputa pela presidência da Casa, em fevereiro passado, votou em José Agripino Maia (DEM-RN) e não em Renan. "Já votei no José Agripino e nunca dependi de Renan para nada." Almeida Lima assegura que continuará defendendo Renan no Conselho de Ética - ele é relator da representação de número quatro (que trata da suspeita de coleta de propina em ministérios chefiados pelo PMDB). Na lista dos órfãos de Renan figuram ainda os senadores Leomar Quintanilha (PMDB-TO), presidente do Conselho de Ética, Wellington Salgado (PMDB-MG); e Gilvam Borges (PMDB-AP). Ontem, Quintanilha, num gesto de humildade incomum desde o início da crise no Senado, há cinco meses, subiu à tribuna para fazer discurso sobre um tema paroquial e chamou a atenção pela cordialidade com que se dirigiu aos colegas, chamando-os pelos nomes. Até a semana passada, Quintanilha usava da prerrogativa de presidente do conselho e homem de confiança de Renan para fazer eco aos desejos e orientações de seu padrinho.AMIZADE Gilvam Borges prometeu manter amizade com Renan, apesar de sua licença do cargo. Mas ressalvou que sua atuação na defesa do presidente licenciado ficará nos limites do PMDB. "Sou amigo do Renan independentemente do cargo. Vou ajudá-lo na manutenção do mandato, mas essa articulação é mais de líder para líder. Os colegas vêm em seguida e eu tenho de ficar dentro do limite do PMDB", afirmou Gilvam. Wellington Salgado, um dos que resistem ao lado de Renan, planeja um grande final para sua retirada de cena. Acusado de evasão fiscal e outras irregularidades, o senador prepara-se para deixar a vida política. Já avisou que em dezembro deixará o posto que ocupa, por ser suplente do atual ministro das Comunicações, Hélio Costa. Aos jornalistas, mandou avisar que "não fala com a imprensa".DOSSIÊSIndiferente aos apoios que vem perdendo, Renan Calheiros avisou um amigo que adotará, daqui para frente, uma estratégia camicase: ao invés de subir à tribuna para debater com os colegas, atuará nos bastidores com todas as armas políticas na defesa de seu mandato. Espera-se um tiroteio de dossiês e acusações nos túneis e corredores da Casa. No final de semana, Renan se mostrou deprimido com a decisão de licenciar-se que foi obrigado a adotar. "A guerra não acabou", resumiu um senador que conversou com ele ontem.

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