Tropa de Arruda avança para garantir controle da Câmara do DF

Presidência da Câmara Legislativa deve ser assumida por aliado do governador; eleição acontece nesta quarta

Carol Pires, da Agência Estado,

26 de janeiro de 2010 | 18h49

A tropa de choque do governo na Câmara Legislativa avançou nesta terça-feira, 26, na articulação para assumir o controle das investigações contra o governador José Roberto Arruda (sem-partido), beneficiário e operador de um suposto esquema de arrecadação de propina, investigado pela Operação Caixa de Pandora, conhecido como "Mensalão do DEM".

 

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A retirada do deputado Alírio Neto (PPS) da CPI da Corrupção tornou vago o cargo de presidente do colegiado. Na sua vaga, foi indicado Geraldo Naves, do DEM, ex-partido de Arruda.

 

O PPS ameaçou levar Alírio Neto ao conselho de ética do partido se não rompesse com a base aliada, que tenta ora atrasar e ora impedir as investigações contra o governo. Se fosse expulso da legenda, o deputado não poderia concorrer nas eleições de outubro. Neto, então, atendeu o apelo do partido prontamente. Saiu do bloco do PMDB e garantiu nunca ter divulgado o fim da CPI da Corrupção - anúncio que havia feito dias antes.

 

Geraldo Naves foi indicado pelo PMDB porque os três deputados distritais do partido foram citados no inquérito da PF como beneficiários do suposto esquema, e não podem, por determinação da Justiça, participar das investigações.

 

Naves, novo integrante da comissão, também é o mais cotado para assumir a presidência da CPI da Corrupção, e, se eleito, não deve ter problemas para atuar como fiel aliado de Arruda porque o diretório regional do DEM reafirmou apoio ao governador. O presidente do DEM regional é o vice-governador, Paulo Octavio, que também teria se beneficiado da suposta propina.

 

Presidência da Câmara

 

A presidência da Câmara Legislativa, vaga com a renúncia de Leonardo Prudente (sem partido), flagrado colocando dinheiro de suposta propina nas meias, também deve ser assumida por um aliado do governador. A eleição foi marcada para esta quarta-feira, 27, às 15h. O nome mais cotado entre os parlamentares é Wilson Lima (PR). Com três mandatos distritais no currículo, Lima tem o aval de Arruda para tomar conta da Casa. Promete não fazer alterações na distribuição de cargos e funções, e não esconde a disposição de "assumir o ônus" de presidir uma Casa em crise.

 

"Alguém tem que assumir o ônus. Tenho três mandatos, gosto do meu trabalho, e aceito como uma missão", afirma, sem esconder que José Roberto Arruda monitora todos os passos do legislativo de perto. "Levamos os nomes, mas ele disse que isto quem tem que resolver é a gente ", disse.

 

Disputam a indicação, além de Wilson Lima, dois ex-secretários de Arruda: Raimundo Ribeiro (PSDB) e Eliana Pedrosa (DEM). Ribeiro também tem a simpatia de Arruda, mas já é relator da CPI da Corrupção e corregedor da Câmara, e teria que abrir mão das funções para assumir o comando da Casa. Pedrosa, segundo aliados, tem "personalidade forte e vontade própria", e não teria simpatia de todos os governistas.

 

Pelo lado da oposição, que possui apenas cinco das 24 vagas da Câmara, deve disputar a vaga ou Chico Leite, ou Cabo Patrício, ambos do PT.

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