Dida Sampaio/Estadão - 23/7/2021
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Trocas partidárias reforçam base de apoio a Bolsonaro na campanha por reeleição

PL, Progressistas, Republicanos, PSC e PTB alcançam 171 deputados, o equivalente a 1/3 da Câmara; legendas aliadas ao ex-presidente Lula somam 113 parlamentares

Lauriberto Pompeu, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2022 | 05h00

A três dias do fim do prazo que autoriza as trocas partidárias, legendas que estão alinhadas com o governo de Jair Bolsonaro ganharam adesões, reforçando a base de apoio para a campanha do presidente à reeleição. O PL, partido de Bolsonaro, é a sigla que mais cresce com a chamada janela partidária na Câmara. Integrante do Centrão, a agremiação elegeu 33 deputados em 2018. Após a chegada de bolsonaristas, sua bancada dobrou: somava 66 deputados até a terça-feira, 29. A representação de outras legendas da base governistas também cresceu. 

Como a legislação eleitoral obriga que candidatos ao Parlamento vinculem sua imagem durante a campanha ao presidenciável que seu partido apoia, Bolsonaro terá uma base de ao menos 171 deputados na disputa. 

O cenário de aparente recuperação do presidente, indicado nas pesquisas, reforçou a impressão no meio político de que estar aliado ao governo pode ser uma garantida de voto. A avaliação é de que um contingente grande de parlamentares que também deverão disputar a reeleição vai ampliar o leque de cabos eleitorais pedindo voto para Bolsonaro. 

Somando PL, Progressistas, Republicanos, PSC e PTB são 171 deputados com Bolsonaro, o equivalente a 1/3 da Câmara. Já o petista Luiz Inácio Lula da Silva, principal adversário e favorito nas pesquisas, conta com a bancada do PT, PSB, Solidariedade, PSOL, PCdoB e PV, que representam 113 deputados e não cresceu significativamente. 

O Podemos, do ex-ministro Sérgio Moro, que está estacionado nas pesquisas de intenção de votos, recuou de 11 para 9 deputados. O deputado Diego Garcia (PR) saiu da sigla e foi para o Republicanos e José Medeiros (MT) foi para o PL. Ambos são bolsonaristas e críticos de Moro, que, com o desempenho atual nas pesquisas deixa o partido menos atrativo.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estando no mesmo partido de Bolsonaro ou em alguma legenda de sua coligação, como sinalizam o Progressistas e o Republicanos, os candidatos precisam vincular suas campanhas à do presidente. Isso equivale a deixar gravado em santinhos e outros materiais de campanha o nome do presidente.

De acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), com dados atualizados até a terça-feira, o Republicanos, sigla ligada à Igreja Universal, teve o segundo maior crescimento em relação aos eleitos e passou de 30 para 41 deputados. O terceiro maior aumento foi do Progressistas, que passou de 38 para 46 deputados. 

O analista político do Diap, Antônio Augusto de Queiroz, afirmou que o crescimento da bancada do PL é algo inédito na história da Câmara e mostra que Bolsonaro arregimentou uma bancada de apoio que, mesmo no pior cenário, deve levá-lo o segundo turno da disputa presidencial. “É uma candidatura sem dúvida nenhuma competitiva”, disse.  

O intervalo em que os deputados podem trocar de partido sem o risco de perder o mandato começou no último dia 3 de março e termina em 1º de abril. Até o momento, 66 deputados trocaram de legenda pela qual foram eleitos em 2018.

Uma bancada grande na Câmara também é importante porque pode impedir a abertura de processos de impeachment contra o presidente e facilita na aprovação de propostas de interesse do governo.

A expectativa de crescimento dos partidos do Centrão já era prevista por líderes partidários em fevereiro, como mostrou o Estadão. Com o orçamento secreto e sob a presidência do deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), o grupo conquistou um protagonismo inédito.

Das legendas com pré-candidatos a presidente definidos, o PL foi a que mais cresceu. O PSDB registrou um aumento de dois deputados, mas ainda vai sofrer uma debandada nos próximos dias.

O PT passou dos 54 eleitos em 2018 para 53 hoje. No entanto, isso acontece porque o deputado Josias Gomes se licenciou do mandato para ser secretário de Desenvolvimento Rural da Bahia. Até o final da janela, o PT deve filiar mais quatro deputados. São eles Flávio Nogueira (PDT-PI), Gastão Vieira (PROS-MA) e Rubens Júnior (PCdoB-MA). No saldo final, o partido deve ficar com 56 porque Gomes vai voltar ao mandato e Marília Arraes (PT-PE) vai entrar no Solidariedade. O PDT, de Ciro Gomes, perdeu seis deputados em relação aos eleitos e passou de 28 para 22 parlamentares.

O líder do PT, deputado Reginaldo Lopes (MG), minimizou o crescimento do Centrão e disse que as siglas não vão manter o mesmo tamanho após a eleição. “Isso só dura até o dia da eleição, 2 de outubro”, disse. “Essa concentração é ruim para eles. Acho que eles não conseguem eleger todos. A pulverização é mais acertada que a concentração”, completou.

A principal migração aconteceu do antigo PSL para o PL. Deputados da tropa de choque bolsonarista, como Carla Zambelli (SP) e Eduardo Bolsonaro (SP), decidiram não ficar no União Brasil e foram para o partido ao qual o presidente se filiou em novembro do ano passado. O PL é comandado pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto, que foi condenado no esquema do mensalão. Em nenhuma eleição a sigla elegeu mais de 50 deputados. 

Para a disputa deste ano, a legenda espera manter uma bancada maior que 60 deputados e para isso aposta em “puxadores de votos” – candidatos que podem ajudar a eleger outros correligionários graças ao sistema de votação proporcional. Eduardo Bolsonaro, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes,  o secretário nacional de Cultura, Mário Frias, fazem parte desse grupo. 

No Senado, cuja eleição é majoritária, ou seja sem voto de legenda, os parlamentares podem mudar de partido a qualquer tempo. Junto com o MDB, o PL também foi quem ganhou mais senadores em relação ao número de 2018. A sigla saiu de uma bancada de dois para uma de sete. O MDB, maior partido da Casa, cresceu de 11 para 16. 

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