Troca-troca partidário começou antes mesmo da posse

Mal começou a nova legislatura e os parlamentares já deram início ao troca-troca partidário. No primeiro dia de mandato, 18 deputados registravam mudança de legenda. Em oito das trocas, os parlamentares deixaram partidos da oposição para engordar a base aliada. As outras dez trocas aconteceram entre siglas governistas. A dança de cadeiras não é proibida, mas é lembrada por ter sido um dos alicerces do mensalão, que abalou o Congresso no primeiro mandato de Lula. O escândalo foi protagonizado por parlamentares que migraram em bloco para os partidos da situação e, assim, facilitariam a aprovação de projetos do interesse do governo em troca de supostas vantagens financeiras. "O PL esteve envolvido, e reconhecemos isso, no mensalão e na questão do sanguessuga. E tiramos a lição nas eleições, elegendo poucos deputados. Vimos que precisávamos mudar e criamos um partido novo, uma nova filosofia", explicou o deputado Luciano Castro (RR), líder do PR, o Partido da República - fusão do PL com o Prona. O PR abriga atualmente nove dos parlamentares que já trocaram de partido e espera trazer outros seis até o carnaval, aumentando a bancada da legenda para 40 deputados. Castro negou que a atual migração possa representar uma reedição do mensalão. "Nós nem sabemos qual vai ser nossa participação no governo", justificou. Ele atribui o maior repasse do fundo partidário, a disponibilização de mais tempo de TV e o comando do partido nos Estados como os motivos de atração dos parlamentares ao PR. O líder do PSDB na Câmara, Antônio Carlos Pannunzio (SP), concorda que as atuais trocas não podem ser comparadas às do mensalão, pois em sua avaliação o Congresso, Ministério Público e a mídia estão atuantes. No entanto, ele pondera que grande parte dos deputados troca de legenda movida pelas regalias concedidas aos governistas. "Tem casos em que isso fica muito claro, é até por vocação. Tem gente que não consegue ser oposição, não consegue ver a alternância de poder, é sempre governista". O PSDB perdeu dois parlamentares desde a eleição. Na quinta-feira, mesmo com a mobilização para a posse e a eleição à presidência da Câmara, o PAN filiou quatro novos nomes e aumentou sua bancada para cinco deputados. Cleber Verde (MA), presidente do partido, explicou que a troca ocorreu pela proposta de "fortalecer o PAN combinada à insatisfação dos parlamentares com seus partidos". Dois deputados devem aderir ao PAN na próxima semana. Até a quinta-feira o PR havia conquistado nove novos deputados; o PAN, quatro; o PMDB, dois; o PTB, dois e o PT, um. Cinco deputados deixaram o PPS e três, o PSC. O PTB, o PMDB, o PSDB e o PFL perderam dois deputados cada e o PTC e o PDT, um. No Senado, Expedito Júnior (RO) foi o único parlamentar a migrar. Trocou o PPS pelo PR.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.