Troca-troca de partidos beneficia PMDB

Apesar de todo o desgaste provocado pelas denúncias que provocaram a cassação do mandato do ex-presidente nacional do PMDB e ex-senador, Jader Barbalho (PA), o partido é a única legenda da base aliada que encerra o período de filiações com mais deputados do que elegeu em 1998. Mesmo na condição de terceira bancada na Câmara, a sigla saltou de 84 para 91 deputados, enquanto os tucanos desceram de 99 para 92 e os pefelistas, que perderam uma dezena, somam agora 95. O PMDB também encerra a contabilidade com a adesão do ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungman.A vida da agremiação no Senado complicou-se com a perda de quatro senadores, mas, ainda assim, se mantém como a maior bancada. Mas o partido que mais perdeu quadros no último mês é o PSDB, que amargou a revoada de 15 tucanos entre 4 de setembro e quarta-feira, depois de ter garantido a presidência da Câmara ao deputado Aécio Neves (PSDB-MG).No Senado, nem o líder tucano escapou do troca-troca, que atingiu exatos 20% dos 81 senadores. O senador Sérgio Machado (CE) trocou o PSDB pelo PMDB.O PFL mantém o status de maior bancada na Câmara, mas sofreu baixas importantes, como a perda do ex-prefeito de Recife Roberto Magalhães e do deputado José Múcio Monteiro, que foram para o PSDB.O líder do PSDB na Câmara, Jutahy Magalhães Júnior (BA), destaca que o importante na contabilidade final é que a legenda não perdeu força nos Estados. Segundo ele, as recentes baixas na sigla não significam perda eleitoral porque foram fechados acordos que mantêm os ex-tucanos coligados com a agremiação.Além disso, o PSDB comemora a filiação do presidente mundial do BankBoston, Henrique Meirelles, e do secretário de Desenvolvimento Urbano, Ovídeo de Ângelis, que se recusou a acompanhar o PMDB goiano no rompimento com o Palácio do Planalto.As negociações partidárias mostraram que a questão ideológica tem pouco peso no Congresso. Tanto é assim, que o deputado João Caldas (AL), eleito pelo PMN, conseguiu a proeza de trocar de partido sete vezes, passando pelo PL, PST, PTB para voltar ao PL. Ele entrou e saiu do PL quatro vezes nos últimos dois anos.Não foi o único que abusou da infidelidade. O deputado Luiz Dantas (AL) também mudou de endereço partidário seis vezes, assim como o fez o pernambucano Marcos de Jesus, que também encerra o prazo de filiação no PL.Legenda predileta dos evangélicos, o PL foi o que mais cresceu na Câmara, pulando de 12 para 23 deputados, ao mesmo tempo em que o PPS saltava de 3 para 13. O que explica é o fato de serem pequenas siglas, o que facilita a coligação daqueles que estavam em situação desconfortável em grandes partidos. O PL não existia no Senado em 1998, mas, agora, tem o senador José Alencar (MG), ex-PMDB.Em todos os casos de mudança, o fator determinante foram questões locais. A política regional está operando com dinâmica própria, sem que os caciques nacionais comandem a montagem dos palanques nos Estados. Na avaliação de cientistas políticos que acompanham o desdobramento do quadro partidário, a movimentação deve-se, em grande parte, à pulverização das candidaturas a presidente em 2002 - tão pulverizada que produziu palanques múltiplos.Diferentemente do real e da reeleição, que tiveram um projeto nacional mobilizando os Estados, não há, pelo menos por enquanto, nenhum candidato à esquerda ou à direita com potencial suficiente para comandar o processo eleitoral nos Estados, o que vem produzindo a montagem de palanques múltiplos, abertos a mais de uma candidatura.

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