Troca ministerial visa atrair PR à candidatura petista

Duas semanas após entrar na campanha de Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) ganhou um cargo no governo. Ela será a nova ministra da Cultura, substituindo Ana de Hollanda, que caiu após enfrentar longo processo de desgaste na Esplanada. Com a engenharia política, a presidente Dilma Rousseff pretende levar importante ala do PR, que hoje apoia o candidato do PSDB a prefeito de São Paulo, José Serra, para a campanha do petista Fernando Haddad à Prefeitura.

TÂNIA MONTEIRO E VERA ROSA, Agência Estado

12 de setembro de 2012 | 08h26

A decisão de demitir Ana de Hollanda já estava tomada, mas a ideia inicial de Dilma era fazer a troca depois das eleições, no ano que vem, junto com a planejada reforma da equipe. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a convenceu, porém, de que o melhor momento para a entrada de Marta no ministério era agora. Não sem motivo: quem assume sua cadeira no Senado é o vereador Antonio Carlos Rodrigues, suplente e dirigente do PR.

"É uma questão política, não tinha como evitar. Eu estou precisando do cargo", disse a presidente ao justificar sua decisão a Ana de Hollanda, durante encontro no Planalto.

Apesar de integrar a base aliada de Dilma, o PR decidiu se coligar com Serra em represália à perda do Ministério dos Transportes, no rastro da "faxina" promovida por Dilma. O plano de Lula e do comitê petista, agora, é desestabilizar a candidatura de Serra, deslocando uma ala do PR para Haddad. A expectativa dos petistas é que o PR faça "corpo mole" no apoio ao tucano.

Marta e Haddad negaram nesta terça-feira (11) qualquer tipo de barganha política. "O convite é meio surpreendente, mas eu sou do governo e estou à disposição", afirmou a nova ministra. "Com a presidenta Dilma não tem toma lá dá cá. Quem a conhece sabe que isso não é do feitio dela. Se (a troca) tivesse algo a ver com minha campanha, teria sido feita muito antes", disse o candidato do PT. A posse de Marta está marcada para esta quinta-feira (13), às 11 horas.

O PT quer explorar agora o mal-estar do PR com tucanos, provocado pela propaganda de Serra, que jogou luz sobre o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal. O deputado Valdemar Costa Neto, que presidiu o PR, é réu no processo.

Para assumir a vaga de Marta, Antonio Carlos Rodrigues terá de se licenciar da Câmara Municipal. Rodrigues concorre à reeleição como vereador e tem ótimo relacionamento com o PT. "Nunca escondi de ninguém que tenho amigos no PT. Eu me elegi presidente da Câmara Municipal com os votos dos petistas", afirmou Rodrigues.

Mesmo assim, o vereador disse que não vai abandonar Serra. "Seria muito estranho só o PR de São Paulo apoiar o PT", comentou. Apesar dos desmentidos oficiais, porém, o comando da campanha de Haddad conta com o racha na dobradinha PSDB-PR. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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