Troca de remédios aconteceu no hospital, diz Serra

O ministro da Saúde, José Serra, disse nesta terça-feira não ter dúvidas de que a troca de remédios que teria provocado a morte de quatro bebês no Hospital Municipal Salgado Filho, no Rio, ocorreu dentro da instituição e foi causada por "erro humano sério".Ele recomendou que as famílias das vítimas peçam indenização à Prefeitura e pediu punição para os responsáveis. "Esta é uma situação lamentável", disse o ministro. "É difícil comparar a gravidade de acidentes, mas este é com certeza o mais estúpido que eu vi nos três anos em que estou à frente do ministério".Diante das declarações de Serra, o secretário municipal de Saúde, Ronaldo Cezar Coelho, acabou admitindo que o erro havia sido cometido pelos funcionários do hospital. Para Serra, mesmo que o laboratório União Química tenha embalado na mesma caixa frascos do antiinflamatório Cortisonal e do anestésico Succinil Colin - ministrado por engano aos bebês - não justifica que o funcionário tenha injetado o remédio sem olhar o rótulo.O ministro defendeu a punição para o responsável ou responsáveis pelas mortes. "Esse é um bom hospital. Falhas podem ocorrer. Agora, o importante para que isso não se repita é que haja apuração e punição", afirmou.O ministro avalizou a decisão das mães que retiraram seus filhos da enfermaria quando as mortes começaram a ocorrer, na noite de quinta-feira."As famílias devem pedir indenização ao poder público responsável, porque não se devolve uma vida, mas é o mínimo que pode ser feito", recomendou. Os técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que investigam o caso no hospital concluem nesta quarta-feira o relatório sobre a morte dos quatro bebês.O documento deve apontar falhas no setor de distribuição e transporte de medicamentos do hospital, segundo fontes ligadas à Anvisa.Nesta terça-feira foi exumado o corpo de Davi Macieira Izidim, de 1 mês. A polícia quer saber se há resquícios do Succinil no organismo do bebê.O delegado titular da Delegacia de Repressão a Crimes contra a Saúde Pública (DRCCSP), Augusto Paiva, recebeu à tarde a relação dos profissionais que estavam de plantão no Salgado Filho nos dois dias em que as mortes ocorreram - quinta e sexta-feira passadas - e deve chamá-los para depor nos próximos dias. O Conselho Regional de Enfermagem também abriu sindicância para apurar a participação de cinco enfermeiros e 24 auxiliares de enfermagem que trabalharam naqueles dias. O delegado não considera prova a caixa de Succinil em que foram encontrados frascos de Cortisonal. "O Cortisonal é de 2001, mas o lote da caixa é do ano passado. Eles não poderiam ter sido embalados no mesmo momento." A assessoria de imprensa da Anvisa informou que a presença de diferentes tipos de medicamentos na mesma embalagem só seria considerada falha do laboratório se a caixa tivesse indicação de apenas um dos medicamentos.A União Química informou que suas embalagens têm somente a logomarca da empresa.Nesta terça-feira, no fim da tarde, a Secretaria de Estado de Saúde decidiu suspender também a venda e uso do Cortisol - succinato sódico de hidrocortisona.Duas da crianças que tiveram parada cardiorespiratória no Salgado Filho haviam recebido o medicamento. Elas sobreviveram.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.