Análise: Tristeza do PT, alegria do PSDB

Desde 1992, nenhum candidato venceu na capital paulista sem passar pelo segundo turno, como João Doria agora. Foi uma derrota do PT e uma super vitória do governador Geraldo Alckmin

Eliane Cantanhêde, O Estado de S. Paulo

03 de outubro de 2016 | 05h00

Com o PT despencando e o PSDB tendo uma vitória inédita em São Paulo e aumentando seu número de prefeituras no País, a eleição municipal traz um dado político importante para 2018: os tucanos são os maiores beneficiários da desgraça petista. Desde 1992, nenhum candidato venceu na capital paulista sem passar pelo segundo turno, como João Doria agora. Foi uma derrota do PT e uma super vitória do governador Geraldo Alckmin.

Depois de tudo o que aconteceu no País, é incrível como a polarização PSDB-PT resiste, firme e forte, não apenas na capital, mas no Estado de São Paulo. Na reta final, o eleitorado se concentrou nesses dois polos e, no confronto direto, o antipetismo foi mais forte que a ojeriza aos tucanos.

Empurrar o prefeito Fernando Haddad ao menos ao segundo turno era quase uma questão de vida e morte para o PT, que foi o grande derrotado no País e no interior paulista. No ABC, sai PT, entra PSDB. Um arraso. Com Haddad vivo na disputa, os petistas teriam ânimo e discurso para enfrentar a realidade adversa e os dedos em riste. Com Haddad fora, nem isso sobrou.

De outro lado, Alckmin deu uma volta por cima espetacular, depois de duas derrotas quando ele próprio disputou a prefeitura da capital, em 2000 e 2008. Logo, os votos de ontem não foram só em Doria e Alckmin, mas também contra o PT e num candidato que se apresenta como “não-político”. Aliás, essa é uma dica para os candidatos em 2018.

Além de Alckmin, Aécio Neves também recupera o fôlego em Minas: depois de perder em casa para Dilma Rousseff e entregar o governo do Estado para o PT em 2014, Aécio leva o tucano João Leite ao segundo turno em Belo Horizonte, onde o PT comeu poeira.

Já o Rio é, sempre, um caso à parte. PT e PSDB não tiveram condições nem quadros para competir com alguma chance e o segundo turno é entre dois extremos: Marcelo Crivela, do PRB e da Igreja Universal, e Marcelo Freixo, do PSOL. A tendência clara: Crivela murcha, Freixo infla.

Em comum, São Paulo, Rio e Minas registraram uma abstenção altíssima, de mais de 20%, que se reproduziu em todas as regiões. PT e PSDB continuam digladiando entre si e há uma pulverização de partidos pelos municípios, mas uma coisa é certa: o eleitorado está cansado, desconfiado e desencantado. O PSDB sai bem, mas tem muito o que refletir.

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