Tributo não será votado se Renan ficar, avisa Tasso

Senador diz ainda que, quando projeto da CPMF entrar na pauta, PSDB vai se posicionar contra prorrogação

Carmen Pompeu, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2015 | 00h00

O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), disse ontem que a votação da CPMF não entrará na pauta mínima do Senado enquanto Renan Calheiros (PMDB-AL) for presidente da Casa. "Vamos endurecer o jogo", avisou. "Não só no sentido de obstruir, mas também de demonstrar a fraqueza da argumentação da CPMF e que um governo, que foi o grande responsável por essas estratégias montadas na sessão secreta, não tem confiança necessária para dialogar sobre assuntos importantes", disse, referindo-se à sessão do Senado que absolveu Renan, quarta-feira.Em Fortaleza, onde participou de um seminário do PSDB, Tasso explicou ainda que, quando a CPMF entrar na pauta, o PSDB votará contra, pois acredita que ela não é mais necessária. O governador de São Paulo, José Serra, que foi ao evento, não quis opinar. "É uma posição da bancada", afirmou apenas.Tasso contou que a pauta mínima faz parte de uma lista de medidas que a oposição pretende tomar no Senado. Como exemplo, disse que algumas medidas provisórias do governo não serão votadas. Além disso, os oposicionistas vão trabalhar pelo fim do voto secreto para cassação de mandato. "Queremos o fim da sessão secreta para cassação e para todo tipo de coisa parecida com isso, e afastamento automático da mesa e das presidências das comissões de todos os que estiverem implicados, já indiciados, no Conselho de Ética", argumentou.Em seu discurso no seminário, Tasso criticou os senadores que se abstiveram na votação do caso Renan e disse que fizeram o voto do "me engana que eu gosto". "Seis espertos, covardes. Covardes, que não quiseram enfrentar a opinião pública. Covardes até com a própria consciência", atacou. "Foi uma das coisas mais vergonhosas que presenciei na vida. Não pelo resultado, mas pela forma como foi conduzida. Presenciamos um espetáculo de dissimulação, falsidade e mentiras."O senador disse que cinco minutos antes da votação uma consulta entre os senadores apontou 45 votos pela cassação. "No voto só apareceram 35. Descaradamente, existem pelo menos 10 que estão mentindo, estão enganando, estão dissimulando."Apesar disso, ele acha que o pedido de anulação da sessão feito pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) não funciona. "Nós no Senado é que temos que resolver essa questão. É obrigação nossa."Segundo Tasso, a culpa do "vexame" no Senado é "de uma política promíscua", "um sistema clandestino e subterrâneo de troca de favores" praticado entre o Planalto e o Congresso. Ele afirmou que, em troca de liberação de verbas e negociação de cargos, o Congresso "acoberta" o governo em crises como as do mensalão, dos sanguessugas e do apagão aéreo."E o governo usa toda a sua força para proteger qualquer membro do Congresso envolvido com problema moral ou ético", acusou Tasso. "Nós vamos manter um processo de resistência disso no Senado, de qualquer maneira e custe o que custar."

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