Fabio Motta/AE - 25/1/2007
Fabio Motta/AE - 25/1/2007

Tribunal julga nesta terça recurso de coronel acusado de tortura

Coronel da reserva Carlos Ustra contesta sentença em que foi reconhecido como torturador

Roldão Arruda - O Estado de S. Paulo

21 Maio 2012 | 12h23

SÃO PAULO - O Tribunal de Justiça de São Paulo julga nesta terça-feira, 22, o recurso do coronel da reserva Carlos Brilhante Ustra contra a sentença na qual foi reconhecido como torturador de presos políticos. A sentença inicial foi proferida no dia 8 de outubro de 2010, na 23.ª Vara Civil do Fórum João Mendes, em São Paulo. Foi uma decisão inédita.

 

A ação é movida pela família Teles e envolve o período em que o coronel comandou o DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna) do 2o. Exército, entre 1970 e 1974. A sessão deve iniciar às 13h30, na sede do TJ, na Praça da Sé. Ex-presos políticos e familiares de mortos e desaparecidos no período do regime militar vão se reunir no local.

 

Maria Amélia e César Teles estiveram presos no DOI-Codi de São Paulo durante onze meses, em 1973. Em seu relato na Justiça declararam que foram torturados em diversas ocasiões.

 

Maria Amélia, mais conhecida como Amelinha, disse ao juiz Gustavo Santini Teodoro que seus dois filhos, Janaína, de 5 anos, e Edson, de 4, foram mantidos na cela com os pais durante quase dez dias. Logo após a sentença, o suplemento Aliás, do Estado, publicou uma reportagem sobre a história, assinada pelo jornalista Ivan Marsiglia, com relatos dos integrantes da família.

 

Em um dos trechos, Janaína, que hoje é historiadora, diz: "Infelizmente, eu me lembro. Lembro dos gritos, da escuridão, de quando me levaram para ver minha mãe toda machucada, ensanguentada, na cadeira do dragão (instrumento de tortura com assento, apoio de braços e espaldar de metal onde o prisioneiro era amarrado nu, com o corpo molhado, e submetido a choques elétricos)." 

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