Tribunal do ES tira presidente do cargo

Filho do desembargador também será alvo de investigação interna

Marcelo Auler, VITÓRIA, O Estadao de S.Paulo

12 de dezembro de 2008 | 00h00

Vinte desembargadores do Tribunal de Justiça do Espírito Santo decidiram ontem afastar o presidente daquela casa, Frederico Guilherme Pimentel, que desde terça-feira está preso em Brasília, acusado de integrar uma suposta quadrilha de venda de sentenças judiciais. O esquema, revelado pela Operação Naufrágio, desenvolvido pela Procuradoria da República e a Polícia Federal sob a coordenação da ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça, envolveria ainda os desembargadores Elpídio José Duque e Josenider Varejão Tavares, também presos.Além de afastar o desembargador Pimentel, seus colegas fizeram o mesmo com o filho dele, Frederico Luís Schaider Pimentel, conhecido como Fred, juiz que atuava na comarca de Cariacica e também foi preso na mesma operação.Contra o juiz Fred e sua cunhada Bárbara Pignaton Sarcinelli, que também foi alvo demandado de prisão, os desembargadores abriram Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) para verificar a procedência das acusações de que negociavam a distribuição de processos no tribunal. Bárbara, desde 2 de janeiro deste ano, respondia pela diretoria de Registro, Preparo e Distribuição de processos no TJ-ES.Mandados de busca e apreensão assinados pela ministra Laurita Vaz também atingiram Leandro de Sá Forte, assessor jurídico da presidência do Tribunal, e Felipe Sademberg, oficial do cartório do 1º Ofício de Cariacica, cuja nomeação para o cargo pelo desembargador Pimentel é motivo de investigação. O loteamento de novos cartórios com a indicação dos oficiais responsáveis de sua confiança era uma das atividades ilícitas do juiz Fred junto ao seu pai, segundo as investigações.Como nas interceptações telefônicas aparecem as outras duas filhas de Pimentel - Dione e Roberta Schaider Pimentel, ambas escreventes juramentadas do TJ - e também a juíza Larissa Sarcinelli Pimentel, esposa de Fred, a corregedoria do tribunal vai verificar a necessidade de determinar o afastamento deles também. Numa das gravações, a juíza Larissa diz ao marido que não precisaria mais trabalhar, pois ficaria rica com "esmolas".Na reunião secreta realizada ontem no TJ, o desembargador Alinaldo Faria de Souza deu longas explicações a seus colegas. Ele também teve a prisão pedida pelos procuradores da República, mas a ministra Laurita Vaz só concordou em autorizar a busca e apreensão em sua residência e no gabinete. Para a PF, ele teria atuado em favor de determinadas partes no tribunal. O desembargador negou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.