Tribuna de Genebra volta a falar de Maluf

O jornal Tribuna de Genebra volta hoje a falar do ex-prefeito de São Paulo e candidato ao governo do Estado derrotado, Paulo Maluf, ligando uma parcela de sua derrota às suas contas bancárias, mas ao mesmo tempo, criticando a lentidão com que a Justiça brasileira fornece informações à Justiça de Genebra.Para o jornal de Genebra que, desde o começo, denunciou as contas bancárias secretas de Maluf na Suíça, "a campanha eleitoral de Maluf foi prejudicada por um dossiê político-judiciário, em fase de instrução no Brasil e em Genebra. Relaciona-se com duas contas abertas por pessoas próximas de Maluf, diz a Tribuna de Genebra em 1985, no Citibank de Genebra". O jornal conta que os 200 milhões de dólares dessa conta foram transferidos para a Ilha de Jersey, onde estão bloqueados.A Tribuna acentua que "Maluf perdeu também seu poder de nocividade", ao comentar que Maluf não conseguiu influir no resultado das eleições para governador de São Paulo, no segundo turno, com um "surpreendente apoio" ao candidato petetista José Genoino. E comenta que "para uma das mais célebres figuras políticas do Brasil é, talvez, o começo do fim".Entretanto, o jornal manifesta sua estranheza pela lentidão com que o Brasil atende aos pedidos de informação da Justiça suíça. Em outras edições, o jornal criticou as cinco tentativas de cartas rogatórias, para chegar a Genebra uma em boa e devida forma. Agora, para desespero do juiz de instrução Wenger, continua sem resposta o pedido de informações complementares da Justiça suíça, enviado dia 4 de setembro. A impressão deixada nos meios judiciários de Genebra é a mesma dos pedidos de colaborações judiciárias dos russos, que, nos momentos importantes, deixam de fornecer os documentos necessários, lançando sobre a Justiça suíça a acusação de exigências impossíveis. Na verdade, tais iniciativas visariam objetivos políticos internos, sem a intenção de chegar a um fim do processo, dados os complicados interesses e comprometimentos existentes. O caso Maluf, após sua derrota política, poderá caminhar nesse sentido. Sem a ajuda da Justiça brasileira, as instruções do processo acabarão congeladas.

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