TRF suspende audiência de Cachoeira na Justiça de GO

Decisão do Tribunal Regional Federal acata pedido dos advogados do contraventor, que alegam cerceamento; Ministério Público vai recorrer

Alana Rizzo, de O Estado de S.Paulo - Atualizado às 8h42

31 de maio de 2012 | 07h48

Liminar do desembargador federal Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, suspendeu as audiências previstas para estas quinta, 31, e sexta-feira, 1º, para o julgamento de Carlos Agusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Também seriam ouvidos pela Justiça Federal de Goias outros sete membros da organização criminosa comandada por ele e envolvida com esquemas de jogos ilegais.

 

A decisão foi tomada na noite dessa quinta-feira, 30, após a defesa de Cachoeira entrar com habeas corpus pedindo o adiamento das audiências. O Ministério Público afirmou que vai recorrer ainda nesta quinta, o que pode mudar novamente a decisão.

 

Os advogados alegaram cerceamento de defesa e ilegalidade no desmembramento do processo. "Se um dos lados corrompe, o outro é corrompido", diz o pedido em relação aos outros 73 denunciados, em especial aos policias militares. A defesa também pediu que a conversa com os réus fosse feita em local reservado e sem a participação de agentes de segurança. O juiz da 11ª vara Paulo Agusto Moreira Lima negou na quarta-feira, 29, essa solicitação.

 

O desembargador Tourinho Neto, no entanto, determinou que as audiências fiquem suspensas enquanto não forem concluídas todas as diligências solicitadas pela defesa e enquanto não for permitido aos advogados manterem entrevista reservada com o réu. Entre as diligências, a defesa cobra o fornecimento dos extratos telefônicos pelas companhias telefônicas e a indentificação de quando e quais dados foram acessados a partir da senha genérica fornecida aos policiais federais.

 

O desembargador determinou também que, em face da complexidade do processo, os memoriais sejam apresentados por escrito e não oralmente após o interrogatório dos acusados. A expectativa dos advogados de Cachoeira é que, a partir dessa liminar, os réus sejam soltos o quanto antes.

 

O processo contra os réus é resultado da Operação Monte Carlo, na qual 81 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal (MPF). Nesta quinta estavam previstos os depoimentos de dez testemunhas de defesa e outras quatro de acusação. Na sexta seria a vez de ouvir os réus. Um deles, Geovani Pereira da Silva, está foragido.

 

Convocado pela CPI que investiga suas relações com políticos, Cachoeira afirmou que estava disposto a contar o que sabia após o depoimento em juízo.

 

Na porta da Justiça Federal de Goiania nesta manhã, um grupo de estudantes realizou manifestação pedindo "fora Marconi", em referência ao governador do Estado, Marconi Perillo (PSDB), citado nas investigações. Na sessão da CPI realizada nessa quarta-feira, 30, parlmentares aprovaram a convocação do governador para prestar esclarecimentos sobre seu envolvimento com Cahoeira. A data ainda não foi marcada.

 

 

Tudo o que sabemos sobre:
carlinhos cachoeira

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.