TRF mantém De Sanctis à frente de ação contra Daniel Dantas

Por 2 votos a 1, juiz obtém primeira vitória contra ofensiva do banqueiro, a quem mandou prender duas vezes

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

18 de novembro de 2008 | 00h00

Por maioria de votos, a 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF 3) rejeitou ontem pedido de afastamento do juiz Fausto Martin De Sanctis e o manteve no comando da Satiagraha, investigação sobre suposta organização criminosa envolvendo o banqueiro Daniel Dantas. Foram dois votos a favor do magistrado e um contra. Especial explica a Operação Satiagraha da Polícia FederalÉ a primeira vitória do juiz, titular da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, contra a ofensiva do controlador do Grupo Opportunity, a quem De Sanctis mandou prender duas vezes, em julho - ordens, afinal, derrubadas imediatamente pelo ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, que devolveu a liberdade ao banqueiro."Só foi uma decisão, não posso encarar como uma vitória", disse De Sanctis ao ser informado do julgamento. "Não posso encarar no plano pessoal."Por meio de argüição de suspeição, a defesa de Dantas pretendia tirar De Sanctis do caminho, atribuindo-lhe parcialidade e envolvimento com a causa. O primeiro voto, da desembargadora Ramza Tartuce - a relatora -, foi dado em outubro e favorável ao magistrado, repudiando a exceção de suspeição.Os outros dois votos foram declarados ontem, em sessão fechada na corte. Otávio Peixoto Júnior, o segundo desembargador, foi vencido. Ele manifestou-se pelo reconhecimento da exceção do juiz, rotulado pela defesa como "inimigo capital da parte". Peixoto Júnior queria a decretação da nulidade dos atos do processo sob responsabilidade de De Sanctis e que os autos fossem remetidos a outro magistrado. O terceiro voto foi de André Nekatschalow, que acompanhou a relatora.O TRF também indeferiu, por dois votos a um, dois pedidos de trancamento da Satiagraha, um apresentado por Dantas e outro pelo empresário Naji Nahas.De Sanctis venceu o primeiro duelo, mas ainda é alvo de muitos outros ataques dos advogados do banqueiro, desferidos em habeas corpus e mandados de segurança que imputam ao juiz abusos e parcialidade. Hoje, o Conselho Nacional de Justiça deve decidir se abre ou não procedimento administrativo contra De Sanctis.Nélio Machado, criminalista que coordena o núcleo jurídico de Dantas, classificou de "magnífico" o voto do desembargador Peixoto Júnior. "Reconhece a ilegalidade manifesta na utilização do HD do Banco Opportunity e proclama a absoluta falta de isenção do juiz em relação ao julgamento do caso", disse.A decisão do TRF 3 frustrou a defesa de Dantas, que corre contra o tempo porque termina amanhã o prazo para apresentação do memorial com as alegações finais do banqueiro no processo em que ele é réu por corrupção ativa - segundo a acusação, Dantas ofereceu US$ 1 milhão à equipe do delegado Protógenes Queiroz em troca do engavetamento da investigação.Os argumentos de Machado são negativa cabal de autoria, inconsistência da acusação, prova imprestável e nulidade. Se condenado, Dantas pode pegar pena de 2 a 12 anos de reclusão. A sentença pode sair amanhã.

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