TRF julga pedido de suspeição feito por Dantas

O juiz Fausto Martin De Sanctis será alvo de dupla ofensiva no Judiciário nesta semana. Acionado pela defesa do banqueiro Daniel Dantas, o Tribunal Regional Federal (TRF 3) deve retomar hoje julgamento sobre pedido de suspeição do juiz na condução da Operação Satiagraha. Amanhã, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) julga um processo administrativo contra o magistrado. Especial explica a Operação Satiagraha Multimídia: As prisões do banqueiro Daniel Dantas O afastamento de De Sanctis foi requerido pela defesa de Dantas, réu por crime de corrupção ativa em ação penal sob responsabilidade do juiz. A defesa alega que o juiz é parcial.A primeira manifestação, da desembargadora Ramza Tartuce, presidente da 5ª Turma do TRF, foi favorável a Sanctis. Hoje, o desembargador Otávio Peixoto Júnior vai apresentar seu voto. Depois será a vez do desembargador André Nekatschalow dar seu voto.Amanhã, o CNJ, presidido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deverá se pronunciar sobre reclamação feita em setembro pelo deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE), depois da revelação de que De Sanctis havia repassado a policiais federais senhas que dão acesso irrestrito a cadastros e históricos de ligações telefônicas. O corregedor do CNJ, Gilson Dipp, arquivou a ação, mas o parlamentar recorreu.De Sanctis virou personagem para a cúpula do Judiciário por sua conduta. Na votação que confirmou o habeas corpus de Dantas, há dez dias, o ministro Celso de Mello afirmou que De Sanctis, que atua na 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, onde o inquérito da Operação Satiagraha tramitou, cometeu um ato insolente, insólito e ilícito ao não prestar informações ao Supremo sobre as investigações contra Dantas. "Esta corte não pode tolerar abusos", afirmou.De Sanctis divulgou ontem nota em que reitera que o STF não foi espionado durante a Operação Satiagraha. "Todos os monitoramentos telefônicos ou telemáticos, conforme já comprovado pela própria Polícia Federal, cingiram-se aos números das pessoas investigadas, não se tendo notícia de uso indevido para alcançar pessoas diversas da investigação", afirmou, fazendo referência indireta às suspeitas de que o ministro Gilmar Mendes, do STF, tenha sido alvo de grampos.

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