Estadão/AP
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Três visões, um objetivo: o Estado mínimo

Grupos pregam diferentes gradações de menor intervenção estatal e defendem corte de tributos

Ricardo Galhardo e Valmar Hupsel Filho , O Estado de S. Paulo

12 Abril 2015 | 05h00

Em linhas gerais, o Brasil defendido pelos integrantes dos três principais movimentos que convocaram os protestos de hoje - Movimento Brasil Livre, Revoltados On Line e Vem Pra Rua - teria atuação mínima do Estado na economia, com a maioria das estatais privatizada, redução de impostos e encargos trabalhistas, além de uma política de segurança pública linha-dura, com maioridade penal menor do que a atual - 18 anos. 

O Vem Pra Rua poderia ser chamado de um movimento de centro-direita, formado por adultos que receberam boa educação e são bem sucedidos em suas profissões, e que conta com a simpatia de setores do PSDB - apesar de se autodeclararem apartidários. O grupo é personificado pelo empresário Rogério Chequer, de 46 anos, único rosto visível do movimento.

Segundo ele, o grupo defende ideias genéricas, como a melhoria da qualidade dos serviços públicos em saúde e educação. “Queremos que todo cidadão brasileiro chegue aos 17 anos em igualdade de condições, não importa de que região ou classe social ele venha”, diz. 

O MBL se vende como a direita moderna, juvenil e extremamente contundente ao expor ideais liberais. Formado por jovens em sua maioria com idade abaixo dos 30 anos, o movimento tem como público estudantes universitários e jovens com ideologia politicamente conservadora, mas liberais em questões comportamentais, como os direitos homossexuais. 

Kim Kataguiri - um ex-estudante de economia de 19 anos que deixou a faculdade porque “os professores sabiam menos” que ele próprio - personifica a estética do grupo com vídeos de humor nos quais se propõe a “derrotar o discurso esquerdista”. Sempre que pode, cita autores liberais como o austríaco Ludwig von Mises e o norte-americano Milton Friedman.

O grupo defende pautas específicas, como a redução pela metade do número de ministérios, instalação de CPIs para investigar o programa Mais Médicos e os empréstimos do BNDES, assim como a privatização da Petrobrás e de todas as estatais.

Além dos protestos de rua, o MBL adota a estratégia de pressão para tentar impor uma postura mais incisiva dos parlamentares de oposição. Na semana passada, organizaram um bananaço na sede do diretório do PSDB em São Paulo. O grupo promete anunciar um novo “grande ato” no final do protesto de hoje na Avenida Paulista. 

Redes. Já o Revoltados On Line concentra a atuação na internet. Com mais de 700 mil seguidores no Facebook, é o mais popular e adota uma ideologia de extrema-direita. Criado há cerca de 7 anos com o objetivo de combater a pedofilia online, o grupo foi o primeiro a ganhar notoriedade fora das redes sociais, amparado na popularidade do cantor Lobão. 

O Revoltados On Line chegou a flertar com os defensores de uma intervenção militar e tinha pouco critério na escolha das informações que compartilhava - o que o levou a referendar boatos e inverdades. Aos poucos, moldou suas posições até assumir uma identidade legalista pró-impeachment. Centrado na figura de seu líder, Marcello Reis, o grupo deve se transformar em uma associação ainda neste ano. 

O Vem Pra Rua fez o caminho inverso do Revoltados On Line. Começou próximo da social-democracia tucana, mas aos poucos incorporou posições mais radicais e divergentes do PSDB, como a defesa do impeachment de Dilma, por ora descartada pelo partido. O grupo não discute questões morais como os direitos gays e o aborto e considera a adoção do voto distrital suficiente para a reforma política.

“Nós nos preocupamos enormemente com a distância e a desconexão entre a classe política e a sociedade”, diz Chequer. Para depois do protesto de hoje, o Vem Pra Rua pretende focar sua atuação em ações pontuais de pressão sobre os parlamentares.

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