Três presidenciáveis disputam apoio em MG

O governador do Rio, Anthony Garotinho (PSB),e o ex-ministro Ciro Gomes (PPS), pré-candidatos à presidência da República, estiveram nesta terça-feira à tarde em Belo Horizontepara buscar apoio às suas campanhas e aproveitaram a ocasião para trocar farpas, evidenciando o racha das oposições.Já opré-candidato Luís Inacio Lula da Silva (PT) chegou a Belo Horizonte no início da noite desta segunda-feira para visitar o prefeito Célio Castro - sem partido,depois de deixar o PSB - e também tentar outras adesões.Célio, que Lula tenta convencer a ingressar no PT, sofreu uma pancreatite medicamentosa, há três meses, e recupera-se nacasa de um filho, na Zona Sul.Garotinho, que anunciou ter iniciado oficialmente em Minas sua campanha para a presidência, encontrou-se na AssembléiaLegislativa com o deputado estadual João Leite (PSDB), que, como pelo menos outros quatro tucanos do Estado - doisparlamentares federais e um estadual -, diz-se decepcionado com o governo federal e não descarta o ingresso em outra legenda.O governador, que, além de Leite, espera conseguir o apoio do senador peemedebista José Alencar, não poupou críticas a trêspossíveis adversários na corrida presidencial, também não-alinhados com o Palácio do Planalto.Para ele, o governador de Minas, Itamar Franco, pré-candidato do PMDB, e Ciro Gomes seriam espécies de cópias"recauchutadas" do atual presidente."Fernando Henrique foi candidato de Itamar, que vendeu a Companhia Siderúrgica Nacional",disse. "Ciro Gomes impôs barreiras à indústria nacional, quando foi ministro da Fazenda de Itamar", acrescentou, para concluir:"Eles podem ser oposição ao presidente, mas não ao modelo econômico que está aí."Garotinho também afirmou que Lula nãotem chances em 2002 por já ter tentado eleger-se em outras ocasiões, sempre com derrotas.Ciro fez palestra para empresários emum hotel da capital e se reuniu com representantes de outros partidos. Ele pretende levar parlamentares do PFL, doPSDB e do PMDB, entre eles, assim como Garotinho e o disputado senador Alencar, para o PTB, partido que apóia o seu PPS.Onze dos 53 deputados federais de Minas dos três partidos já estariam comprometidos com o PTB.O ex-ministro respondeu a Garotinho com um apelo para que haja maior entendimento entre os candidatos de oposição,sobretudo visando a uma eventual composição no segundo turno."Não será agredindo-nos uns aos outros que vamos consertar ocaminho para mudar o Brasil, porque as forças do sistema financeiro internacional, forças poderosas que hoje, na oligarquiapolítica brasileira, sustentam o governo FHC, não estão derrotadas", afirmou."Precisamos ter absoluta humildade diante disso e lutarmos democraticamenrte, cada um com sua idéia, com sua biografia,com seus serviços prestados ao Brasil, e cada um com suas contradições para que não haja portas fechadas e amanhã não seinterrompa um caminho", completou.Apesar do tom ameno, Ciro respondeu também com críticas ao ataque do representante do PSB. "Chega de irresponsabilidade,chega de um querer ser melhor que os outros, ficar agredindo. Isso é coisa de quem não tem experiência política e não entendenem 1% do que esta acontecendo com o País", disse.Itamar, que, segundo assessores, passou o dia acertando os últimosdetalhes de um plano alternativo e nacional de racionamento de energia, a ser apresentado nesta quarta-feira, não haviacomentado as declarações de Garotinho até o início da noite.O petista Luís Inácio Lula da Silva desembarcou em Belo Horizonte por volta das 18h30 e, antes de seguir para o encontrocom Célio, reafirmou a importância de uma eventual adesão do prefeito à campanha petista."Ele é um homem politicamenterepresentativo no Estado de Minas Gerais e todos têm que levá-lo em conta", disse.Lula também revelou o interesse do PT emuma eventual composição com o senador peemdebista José de Alencar, cujo apoio é igualmente pretendido por Garotinho e Ciro."Se ele tiver a disposição de nos ajudar a recuperar o Brasil para os brasileiros, nós do PT vamos dizer que ele seja bem-vindo",afirmou.

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