'Três porquinhos' são poder 'à sombra' de Dilma, diz jornal espanhol

Diário comenta poder dos coordenadores da transição: José Eduardo Cardozo, Antonio Palocci e José Eduardo Dutra

BBC Brasil, BBC

23 de novembro de 2010 | 09h03

Uma reportagem publicada nesta terça-feira pelo diário espanhol El Mundo destaca o papel dos coordenadores da transição nomeados por Dilma Rousseff, cujo apelido de "três porquinhos" foi adotado até pela presidente eleita.

"À sombra, mas sempre presentes, três homens supervisionam desde o princípio cada jogada política de Dilma Rousseff", afirma o jornal, em referência aos deputados José Eduardo Cardozo e Antonio Palocci e ao senador José Eduardo Dutra, presidente do PT.

"São 'os três porquinhos' da futura presidente brasileira, batizados assim em plena campanha eleitoral por um certo excesso de quilos que pode ser visto inevitavelmente em seus cintos apertados e por suas bochechas às vezes rosadas", diz o jornal.

A reportagem observa que os três, que tiveram papeis importantes durante a campanha eleitoral, deverão assumir "postos-chave" no Executivo e são suficientemente próximos à presidente eleita para "soprar a ela ideias que alterem suas decisões".

Para o diário, "o acúmulo de poder nas mãos de só três políticos desagrada a alguns setores do PT, que se sentem excluídos e temem uma nova versão do núcleo duro que rodeava Lula no início do seu primeiro mandato".

Fiéis escudeiros

O jornal comenta que o apelido dos três surgiu em tom de crítica durante a campanha eleitoral, mas foi apropriado pela presidente eleita para "se referir carinhosamente aos seus três fiéis escudeiros".

"Acredito que os três porquinhos foram muito bem sucedidos na coordenação da minha campanha. Eu encontrei neles companheiros de todas as horas", afirmou Dilma durante pronunciamento na reunião do Diretório Nacional do PT, em Brasília, na semana passada.

Até mesmo os próprios "três porquinhos" assumiram os apelidos. "Ficamos pensando o que tem em comum entre nós, além da barriga. Vimos que o Prático (que constrói a casa de tijolos) é o Palocci, o Heitor (que faz a casa de madeira) é o Dutra, e o Cícero (da casa de palha) sou eu", disse Cardozo, que é também secretário-geral do PT.

Dutra, por sua vez, em uma mensagem pelo Twitter, disse que estava fazendo caminhadas para tentar "perder alguns quilos acumulados na campanha e, consequentemente, o apelido".

 

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