Três novas testemunhas depõem no caso TRT

A procuradora Thaméa Danelom Valiengo afirmouno início da noite de hoje que os depoimentos das testemunhas de defesa dosempresários Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz,sócios da construtora Incal, "não trouxeram nenhuma prova e nem acrescentaram nada aoque já existe nos autos do processo". Os advogados de defesa contestaram aprocuradora. Eles garantem que os depoimentos de hoje mostraram a inocência dos réus.A partir das 14 horas de hoje, depuseram no Fórum Criminal Federal, na Praça daRepública, o ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) Rubens TavaresAidar, o ex-gerente do Banco do Brasil Arnaldo Pandolfi e o sindicalista MartimAparecido Pereira da Silva.O juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto e o senador cassado Luiz Estevão deOliveira participaram das oitivas. Eles também são réus no processo que apura odesvio de R$ 169,4 milhões (R$ 196,7 milhões em valores atualizados pelo MinistérioPúblico Federal) das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo.O depoimento de Aidar demorou cerca de uma hora e meia. Ele afirmou que durante o seumandato como presidente do TRT (1994-1996) foram liberados 28% das verbas para aconstrução do prédio do Fórum. "Na minha época, o cronograma da obra estava dentro danormalidade em função da verba orçamentária que tínhamos", afirmou ele.O ex-presidente do TRT destacou que a liberação da verba era feita a partir deavaliação de engenheiros contratados para isso. "Quando deixei o cargo, faltavam 30%para a finalização da obra. Fui eu quem fez subir as duas torres do prédio", reiterouAidar.Aidar afirmou ainda que só conheceu o senador cassado Luiz Estevão de Oliveira hoje,durante o depoimento, e que os empresários Fábio Monteiro de Barros Filho e JoséEduardo Teixeira Ferraz ele só conheceu formalmente. O ex-presidente do TRT destacoutambém que seu depoimento não foi em defesa dos réus, "mas sim da Justiça". "Sobre oque aconteceu depois de minha gestão, não tenho elementos nem condições de falar",reiterou ele. Defesa Pandolfi, responsável pela administração da conta da Construtora Incal, ondeeram depositadas as verbas liberadas para a construção do prédio, afirmou em seudepoimento que não viu "nenhuma irregularidade" e nem acredita "que tenha havidoalguma" na movimentação do dinheiro que circulou pela conta até 1998. Pandolfi estima que a conta da Incal na Agência Centro do Banco do Brasil em SãoPaulo movimentou cerca de R$ 160 milhões durante o período em que ele foi gerente. Odinheiro era liberado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) para a execução daobra e depositado na conta da construtora responsável pela obra. "O cronograma era acompanhado pela direção do banco e, com certeza, durante o períodoem que acompanhei, não houve irregularidades", disse o ex-gerente. Pandolfiresponsabilizou o governo federal por parte dos aumentos verificados no custo finalda obra. "Por força do contrato corriam juros e multas em casos de atraso nospagamentos e o governo chegava atrasar em mais de seis meses a liberação dodinheiro", argumentou ele.A última das testemunhas, o sindicalista Pereira da Silva, logo após seu depoimentosaiu correndo pelas calçadas da praça da República e conseguiu despistar osjornalistas. De acordo com a procuradora Thaméa, ele falou apenas sobre a relaçãoentre a construtora Incal e os operários que trabalharam na obra. Vaias Depois dos depoimentos, réus e seus advogados de defesa continuaram a guerraverbal que travam abertamente com o Ministério Público. Estevão reafirmou acusações,feitas ontem, contra os procuradores. "Vou provar que me acusaram sem provas",argumentou ele. O advogado dos empresários, Marcelo Martins de Oliveira, disse que as testemunhas dehoje teriam conseguido mostrar que o contrato da obra "é correto e normal no mercadoimobiliário". A procuradora Thaméa desmentiu Estevão e o advogado dos empresários. "Nada do quedisseram hoje mudou o que já está nos autos. Temos provas suficientes para acondenação de todos os réus", garantiu ela. De acordo com Thaméa, todos astestemunhas falaram da lisura dos contratos e da idoneidade dos empresários. "Masninguém soube explicar o desvio do dinheiro", reiterou ela. Os depoimentos foram encerrados pouco depois das 18 horas. Nicolau deixou o prédiocercado por forte esquema de segurança montado pelas políciais Federal e Militar, emdireção à Casa de Custódia da Polícia Federal, onde está preso desde o dia 8 dedezembro.O senador cassado Luiz Estevão, protegido por quinze seguranças particulares, reagiuaos gritos às vaias da multidão que se aglomerava na porta do fórum desde o início datarde. Estevão havia chegado ao Fórum às 10h30, três horas antes do início dosdepoimentos, para evitar confrontos com manifestantes.

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