Três líderes expõem a imagem da base

A votação do Código Florestal, na madrugada de quarta-feira passada, mostrou que o PMDB não abre mão de suceder Marco Maia (PT)

Eugênia Lopes e Denise Madueño, de O Estado de S. Paulo

28 de maio de 2011 | 18h06

BRASÍLIA - O palco da negociação e votação do Código Florestal armado no plenário da Câmara expôs na semana passada três personagens da política que tendem a ficar nos holofotes por toda a legislatura. E o Planalto pode ver aonde, de maneira explícita, pelo menos dois deles querem chegar.

 

Nos discursos, nas articulações e nas conversas de pé de ouvido, os deputados Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Cândido Vaccarezza (PT-SP), todos da base aliada da presidente Dilma Rousseff, expuseram o tamanho do problema de articulação política que o governo enfrenta. O arco de alianças, que já foi de uma dezena de partidos na campanha eleitoral, ganhou mais cinco adesões depois da vitória.

 

Foi nesse mar aberto de apoio de todos os tons partidários, de interesses fisiológicos ostensivos e pouca ou nenhuma ideologia definida, que os três centralizaram na semana passada as atenções. Henrique Eduardo Alves, que só pensa naquilo, na campanha para chegar ao comando da Câmara, teme Aldo Rebelo, que passou a ser um pré-candidato sempre temido desde que, em 2005, correndo por fora, ganhou o que Alves mais deseja.

 

Vaccarezza é um deputado com trânsito superior aos demais petistas entre todas as correntes da Câmara, dentro e fora do PT, mas é um líder atormentado por derrotas desde que assumiu a liderança do governo, no final do segundo mandato do ex-presidente Lula.

 

Ele estreou com uma derrota acachapante, em fevereiro do ano passado, quando foi votado o projeto do Fundo Social do pré-sal, o primeiro dos quatro projetos do pacote de regulamentação do setor. De lá para cá, Vaccarezza é um líder em que as ações de redução de danos são mais evidentes do que as vitórias explícitas.

 

Enquanto Vaccarezza sobrevive em meio a uma base elástica, Henrique Eduardo Alves e Aldo Rebelo exercitam-se em estratégias individuais, mas que, pelo menos no Código Florestal, botou os dois na condição de aliados. Aldo e o PC do B convivem mal com o espaço assombrado que um PT naturalmente forte lhes reserva depois de três mandatos presidenciais seguidos.

 

Alves é um aliado camaleão, um líder que aceitou botar o PMDB ao lado de Dilma na campanha por não ter o seu candidato do coração na disputa, o tucano mineiro Aécio Neves. A tendência, como a votação do Código Florestal mostrou, é que o PMDB votará com o governo quando apenas e tão somente os interesses forem coincidentes.

 

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