Três integrantes da quadrilha de Cachoeira voltam a ser presos

Foram presos Wladimir Garcez (PSDB), Lenine de Araújo Souza e José Olímpio de Queiroga Neto; todos são alvo da Operação Monte Carlo, que levou à prisão de Cachoeira

Eugênia Lopes, O Estado de S. Paulo,

30 Junho 2012 | 14h29

BRASÍLIA - Duas semanas depois de terem sido soltos, três integrantes da quadrilha do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, voltaram a ser presos ontem pela Polícia Federal.

 

Foram presos Wladimir Garcez (PSDB), ex-presidente da Câmara de Vereadores de Goiânia e apontado como braço político de Cachoeira; Lenine de Araújo Souza, suspeito de ser o contador da organização criminosa; e José Olímpio de Queiroga Neto, conhecido por "careca" e que seria sócio do contraventor nas máquinas caça-níqueis no entorno de Brasília. Todos os três são alvo da Operação Monte Carlo da PF que, em fevereiro, levou à prisão de Cachoeira.

 

Gleyb Ferreira da Cruz, encarregado da movimentação financeira do esquema de Cachoeira e que permaneceu preso pela Operação Saint-Michel, teve novamente a prisão decretada.

As prisões foram determinadas, na sexta-feira à noite, pelo desembargador federal Souza Prudente, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Ele revogou o habeas corpus concedido pelo desembargador Tourinho Neto, no dia 16 de junho, que garantiu a liberdade de Queiroga Neto, Lenine de Araújo e de Wladimir Garcez.

 

Silêncio. Todos eles foram convocados para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira. Mas, munidos de habeas corpus, optaram por não responder às perguntas dos integrantes da CPI. Wladimir Garcez foi o único que falou, mas apenas para fazer um discurso político. À CPI, ele disse ser amigo de vários políticos, entre eles o atual ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

 

Ao negar participar da organização criminosa de Cachoeira, Garcez confirmou ser contratado pela empreiteira Delta Construções para assessorar o então diretor da empresa no Centro-Oeste Claudio Abreu. No depoimento, o ex-vereador tucano acabou complicando a situação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), ao dar uma nova versão para a compra da casa do governador, no Condomínio Alphaville, em Goiânia. Ele revelou que comprou a casa de Perillo, providenciando e entregando três cheques a Lúcio Fiúza, assessor do governador.

 

Em seu depoimento à CPI, Marconi afirmou ter vendido a casa para o empresário Walter Paulo, dono da Faculdade Padrão, e que Garcez teria sido apenas intermediário.

 

Nos 20 minutos em que falou à CPI, Garcez, que se negou a responder às perguntas dos parlamentares, contou que Perillo lhe disse estar vendendo a mansão e aceitou receber R$ 1,4 milhão. "Comprei a casa e pediu um prazo", disse. "O pagamento ocorreu depois."

 

Sem responder a perguntas e prometendo colaborar mais tarde com a CPI, Lenine Araújo limitou-se a dizer que se sentia "injustiçado" pelas acusações e garantiu não ser braço direito de Cachoeira, como apontam as investigações. Já José Olímpio e Gleyb ficaram totalmente em silêncio.

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