Trem-bala com verba pública não vale a pena, reafirma Serra

Para o candidato tucano, projeto 'vai dar prejuízo' porque 'não tem demanda'

Angela Lacerda, da Agência Estado / CARUARU, PE,

16 Julho 2010 | 16h23

O candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, voltou a dizer nesta sexta-feira, 16, em visita a Pernambuco, ser contra o uso de dinheiro público ou financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o trem-bala que ligará Campinas a São Paulo e Rio de Janeiro. "Trem-bala com dinheiro público não vale a pena, vai dar prejuízo, não tem demanda", disse durante entrevista à Rádio Jornal, pela manhã, no Recife. Serra acrescentou que, se a iniciativa privada estiver disposta a bancar o projeto, ele não terá nada a objetar.

 

Na estimativa do presidenciável tucano, o projeto deverá custar mais de R$ 50 bilhões. Se eleito, Serra disse que utilizaria dinheiro para investir em projetos mais importantes para o País, a exemplo da Ferrovia Transnordestina, "que não está sendo feita", completaria a Norte-Sul e em metrôs de capitais como Recife, Fortaleza, Belo Horizonte e Salvador.

 

Pré-sal

 

Contrário a discussão do pré-sal em ano eleitoral - "isso é coisa para longo prazo" -, o candidato afirmou ter pedido ao presidente Lula, em reunião com a participação dos governadores do Espírito Santo e Rio de Janeiro, que o assunto ficasse para depois. "Faz no ano que vem, com calma, não é nada que precise matar cachorro a grito".

 

"Lula concordou plenamente", contou Serra, mais uma vez buscando mostrar sua proximidade com o presidente. "No entanto, como a coisa estava na mesa voltou dentro do Congresso Nacional. Resultado: não resolveu nada".

 

Serra observou que a impressão que se tem "é que o pré-sal está na esquina", mas daqui a 10 anos é que se espera uma produção razoável e uma produção plena somente em 15 anos. Segundo ele, além de não haver pressa, o assunto joga Estados contra Estados, divide o Brasil. "Foi um erro do ministro das Minas e Energia, Edson Lobão e de Dilma, então chefe da casa civil, que colocaram a divisão dos royalties na mesa".

 

Ele disse que não irá permitir que se tire recursos, dentro do atual projeto, das regiões produtoras que estão vivendo do petróleo. Exemplificou com a cidade de Campos, no Rio, que recebe quase R$ 1 bilhão por ano. "Se tira da noite para o dia tem que fechar, é guerra civil". Para o tucano, "tem que ter projeto que beneficie Estados e municípios, mas quem produz tem um a mais em qualquer lugar do mundo".

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