André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

Trégua na crise e ritmo de festa no Planalto

Entrega de comenda cultural no palácio tem show de Caetano e manifestação de apoio à presidente

Vera Rosa e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2015 | 08h00

Brasília - O Palácio do Planalto viveu ontem um momento de trégua na disputa política e foi “invadido” por Alegria, Alegria, cantada por Caetano Veloso, e pela poesia concreta de Augusto de Campos, o homenageado da noite. Na cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Cultural, a ameaça de impeachment que ronda o Planalto ficou longe dali em boa parte do tempo, mas acabou citada no final.

“Vivemos sem dúvida um momento especial. Estamos diante da tarefa de continuar trilhando o caminho da democracia, da tolerância, do respeito às diferenças, da convivência democrática e solidária”, disse a presidente Dilma Rousseff, diante da plateia formada, em sua maioria, por artistas. “Vocês são fundamentais para o sucesso dessa tarefa. Eu usarei as palavras da música do Caetano Veloso: esse mundo que estamos construindo virá que eu vi.”

Caetano cantou cinco músicas durante a cerimônia, no Salão Nobre do Planalto, arrancando aplausos entusiasmados da plateia. No repertório estavam Elegia, Alegria, Alegria, Um Índio, Tropicália e Língua.

O megaevento custou R$ 1,1 milhão, segundo o Ministério da Cultura. O show contou com execução do Hino Nacional ao som da guitarra da banda de Caetano.

Ao receber a comenda, o poeta Augusto de Campos, de 84 anos, defendeu Dilma dos ataques da oposição, que pressiona por sua saída do cargo, e disse que prestava sua solidariedade a ela. “Acima de tudo, sempre a vi como heroína da luta pela democracia nos abomináveis tempos da ditadura e nesse momento eu a vejo resistir com a mesma firmeza e coragem àqueles que tensionam ingloriamente mal ferir a integridade das nossas instituições democráticas”, afirmou.

Por mais de duas horas, as persianas cinzas do Palácio do Planalto se transformaram em telão e abrigaram versos de Augusto de Campos, cores, formas, fotos e informações sobre os 32 agraciados com a ordem. Até uma crítica indireta ao ajuste fiscal apareceu no telão. “A cultura não quer, não pode se submeter às regras do mercado”, dizia uma inscrição. “A arte precisa ter liberdade.” Pouco antes, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, já havia reclamado dos cortes no orçamento de sua pasta.

PEC. Tudo foi preparado para ser uma festa e deixar o mau humor do lado de fora. Dilma desceu a rampa iluminada que dá para o Salão Negro sem esconder a satisfação. Quatrocentas pessoas a esperavam, sob aplausos. “Nós hoje nos emocionamos porque sempre que há uma manifestação cultural que congrega tantos talentos é impossível não se emocionar”, disse. Ao receber a homenagem, a índia Sonia Guajajara, que também foi homenageada, entregou à presidente uma camisa criticado a PEC 215, que tira do Executivo e passa para o Legislativo o poder de demarcar terras indígenas.

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