Trechos

"Geisel estava absolutamente convencido da eficácia do esparadrapo sugerido por Guazzelli. Estendeu a mão sobre a mesa e passou ao ministro uma pasta plástica transparente, trazida pelo governador. Assim que Falcão leu o documento, Geisel ordenou: ?Ministro, o sr. tem 15 dias para transformar este projeto em lei. A idéia do Guazzelli vai virar a Lei Falcão.?"(...) "Na manhã de terça-feira, 21 de novembro de 1978, o seqüestro de Porto Alegre ainda não tinha merecido uma única linha nos matutinos da capital gaúcha. Mas o caso já fazia barulho no resumo que (o general Octávio) Medeiros recebeu na reunião prévia das 7h30. ?Estes caras fizeram merda! São uns imbecis. Fizeram tudo errado!? Ele não chegou a nomear os ?caras?, mas quem viu a cena entendeu quem era o alvo da fúria do general: o Centro de Informações do Exército, o CIE."(...) "Uma comunicação secreta, via telex, foi enviada pelo Departamento II do Estado-Maior do Exército em Montevidéu à chefia do Estado-Maior do III Exército em Porto Alegre. Calixto de Armas dava os detalhes das prisões do PVP na capital uruguaia e solicitava passe livre para os agentes da Compañia de Contrainformaciones agirem na capital gaúcha, em busca de Lilian, Universindo e do líder supremo do PVP, Hugo Cores. O posto gaúcho do CIE, que atuava em linha direta com a 2ª Seção do Estado-Maior, passou a requisição uruguaia imediatamente ao comando do Centro de Informações do Exército."(...) "O que Geisel não queria, realmente, era misturar suas tropas de repressão com as de Pinochet."(...) "O Brasil não participava da Fase Três (da Operação Condor), mas se esbaldava nas Fases Um e Dois, com troca de informações e de prisioneiros em solo alheio. Um mês após a fundação da Condor, em dezembro de 1975, agentes sem farda do CIE atuando a pedido da ditadura Stroessner seqüestraram do outro lado da fronteira quatro paraguaios que viviam em Foz do Iguaçu. Ali mesmo no Parque Nacional do Iguaçu foram presos e mortos seis integrantes da VPR que vieram da Argentina em julho de 1974 sob a liderança de Onofre Pinto, o homem que recrutara Carlos Lamarca para a guerrilha. Ao chegar ao local a equipe de Onofre foi presa e executada. Ali mesmo, na casa do sítio, Onofre morreu com uma bala na cabeça."

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