TRE proíbe exibição de vídeo de Cabral com milicianos

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) determinou que o candidato do PV ao governo do Estado, Fernando Gabeira, retire de suas propagandas na TV o vídeo em que o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) aparece confraternizando com líderes de uma milícia. O juiz Antônio Augusto Gaspar entendeu que as imagens, gravadas há três anos, degradam Cabral e induzem o eleitor a acreditar que o governador aprova atividades criminosas.

BRUNO BOGHOSSIAN, Agência Estado

10 de setembro de 2010 | 17h21

O vídeo foi divulgado na internet por adversários do governador no fim de agosto, como revelou o jornal O Estado de S. Paulo, e usado no programa de TV de Gabeira na quarta-feira. Em imagens editadas, Cabral aparece em um palanque ao lado do então vereador Jerônimo Guimarães (PMDB), o Jerominho, e do deputado estadual Natalino Guimarães (ex-DEM) durante a inauguração de uma obra em Paciência, na zona oeste da capital fluminense, no dia 1º de agosto de 2007.

Jerominho foi preso quatro meses depois e Natalino, em julho de 2008. Os dois eram considerados líderes da milícia Liga da Justiça, principal grupo paramilitar da zona oeste da cidade. Eles cumprem pena de dez anos e meio por formação de quadrilha na Penitenciária Federal de Segurança Máxima Especial de Campo Grande (MS).

Para o juiz responsável pela decisão liminar, "houve a prática de ilícito eleitoral", pois o programa de Gabeira deixou de informar "se, naquela data, já havia processo penal em curso, o que leva à interpretação de que (Cabral) poderia chancelar os ilícitos perpetrados (por Jerominho e Natalino)".

A equipe de campanha de Gabeira afirmou que vai recorrer, mas entende que há uma brecha para que o vídeo volte a ser utilizado, explicitando a data do evento e informando se os milicianos respondiam a processos à época. "Nós vamos subir até o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), se for preciso, porque isso está documentado e deve ser mantido no ar", disse o candidato do PV.

''Má-fé''

Durante a semana, a campanha de Cabral acusou Gabeira de "má-fé" pelo uso do vídeo e entrou com a representação no TRE para impedir a veiculação das imagens. A equipe do governador alega que Jerominho e Natalino foram presos em sua gestão, além de outros 434 pessoas ligadas a milícias.

Ontem, o TRE havia tomado uma decisão contra Cabral, negando um pedido de direito de resposta ao candidato. A coligação do governador alegava que sua honra havia sido violada quando o programa eleitoral de Gabeira fez denúncias de corrupção na área de saúde do Estado. O tribunal entendeu que não houve ataques pessoais ao candidato do PMDB, mas apenas críticas à sua gestão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.