TRE nega resposta ao PT no DF por sermão de padre

As cenas de um padre da TV Canção Nova acusando o PT de apoiar o aborto tem causado dores de cabeça na campanha de Agnelo Queiroz (PT), candidato ao governo do Distrito Federal. As imagens voltaram a ser exibidas pelo programa da sua adversária, Weslian Roriz (PSC), que tem procurado associar o petista à polêmica questão, tal como vem ocorrendo com a presidenciável Dilma Rousseff. Três pedidos de direito de resposta do PT foram negados hoje pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do DF.

RAFAEL MORAES MOURA, Agência Estado

13 de outubro de 2010 | 19h58

"Se neste segundo turno, eu vou falar com clareza, o PT ganhar... Tô falando claro, pode me matar, pode me prender, pode fazer o que quiser, mas eu não posso me calar diante de um partido que está apoiando o aborto, que a igreja não aprova. Eu sou a favor da vida", diz o padre José Augusto. A cena é seguida pela mensagem "Vote pela vida, vote Weslian Roriz", pronunciada pelo locutor da candidata.

Weslian é apresentada no programa como uma mulher que "defende a vida no útero, até a idade adulta". Em outro momento, uma moradora lamenta ter o sangue vermelho, cor do PT. "Se pudesse mudar, mudava para azul", diz.

Para o coordenador de comunicação da campanha de Agnelo, Luís Costa Pinto, a tática é sinal de "desespero". "Do ponto de vista eleitoral, é inócua. Estão baixando o nível da campanha, apelando para a baixaria, como tradicionalmente ocorre nas campanhas de (Joaquim) Roriz", avaliou. "É uma estratégia de desespero, de quem não tem propostas."

O coordenador da campanha de Weslian, Paulo Fona, rechaça as críticas. "Ninguém mentiu, fez injúria ou difamação. É um padre que tem uma opinião, compartilhada pela nossa candidata", disse. "É bom que (eles) digam que é baixaria, porque demonstra como tratam uma questão tão séria como o aborto."

Para blindar o candidato, o programa de Agnelo voltou a exibir imagens em que dois pastores da Assembleia de Deus e um padre elogiam o petista. A situação de Agnelo é considerada mais confortável que a de Dilma, que já disse publicamente ser favorável à descriminalização do aborto, embora tenha dotado discurso menos controverso desde o início da campanha.

"A posição do Agnelo é muito clara. Em nenhum momento houve dúvida em relação à opinião dele", comentou o senador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB). Assim como Rollemberg, o senador reeleito Cristovam Buarque (PDT) lamenta a estratégia de Weslian Roriz. "Eu fico triste de ver que o tema da cristandade, que é uma coisa tão pura e tão séria, esteja sendo rebaixada como mote eleitoral."

Debate

No debate da TV Globo, exibido no último dia 28, Weslian provocou Agnelo questionando sua opinião sobre o assunto. "Eu gostaria de fazer uma pergunta pro senhor: o senhor foi do Partido Comunista, que não acredita em Deus, e agora está no PT, que expulsou quem é contra o aborto. O senhor é a favor ou contra o aborto?", indagou ela, após ser questionada pelo petista sobre transporte público.

Acuado, Agnelo respondeu em outro bloco que era "cristão" e "contra o aborto". Sem citar nomes, o ex-ministro criticou pessoas que "usam o nome de Deus para fazer todo tipo de maracutaia nessa cidade".

Um novo debate entre os dois está marcado para amanhã, na TV Bandeirantes. A presença de Agnelo está confirmada, enquanto Weslian Roriz deverá decidir "em cima da hora" se vai ou não participar, informou a campanha da candidata. "Da primeira (vez), eu fui segura. Agora se eu for, vou tirar de letra", disse Weslian na semana passada.

Feriado

O feriado prolongado em pleno segundo turno tornou-se uma das principais preocupações da campanha de Agnelo. Com o Dia do Servidor, em 28 de outubro, e Finados, no dia 2 de novembro, o risco de abstenção aumentou. Muitos brasilienses de classe média poderão fazer as malas e deixar a cidade, o que prejudicaria mais o petista que Weslian Roriz, avaliam petistas.

O programa do candidato, então, passou a exibir cenas de um jovem prestes a viajar, alertando a população sobre a importância de comparecer às urnas. "Viaje depois de votar", diz. O objetivo, justifica, é impedir que o DF faça uma "viagem de volta ao passado". A abstenção no Distrito Federal foi de 283.177 eleitores no primeiro turno, o que representa 15,44% do total do eleitorado. O índice ficou abaixo da média nacional, que foi de 18,12%.

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