TRE discute caso Roriz com dois juízes sob suspeita

Segundo revista, senador teria pago R$ 1,9 milhão para ser absolvido pelo tribunal

Agencia Estado

02 de julho de 2007 | 09h33

O TRE do Distrito Federal vai discutir nesta segunda-feira, 2, em sessão marcada para as 16 horas, que medida adotar em resposta à suspeita de que alguns votos do tribunal podem ter sido comprados na decisão tomada em outubro do ano passado que absolveu o ex-governador e senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) no processo em que ele era acusado de usar uma empresa pública para fazer campanha eleitoral. A edição da revista Veja que está nas bancas diz que "Joaquim Roriz usou dinheiro de Nenê Constantino para pagar propina a juízes" do Tribunal Regional Eleitoral do DF. O processo foi aberto a partir de uma representação do PC do B, feita em setembro de 2006, acusando Roriz, então candidato ao Senado, de usar o site da Companhia de Água e Esgoto do DF, a Caesb, para divulgar o número 151, que era o número da candidatura do ex-governador. O número de relacionamento da Caesb com a população era o 115, mas, por meio de um truque eletrônico, quem acessava o site assistia a uma animação em que aparecia o 151 de Roriz.A reportagem da revista diz que não houve "troco" do cheque de R$ 2,2 milhões descontando pelo senador Roriz, em 13 de março passado, no Banco de Brasília (BRB). Em documentos entregues à Corregedoria do Senado e em discurso no plenário da Casa, na semana passada, Roriz sustentou que precisava de R$ 300 mil para pagar a aquisição de uma bezerra da raça e que recorreu ao empresário e "amigo íntimo" Nenê Constantino, dono da companhia aérea Gol, de empresas de ônibus, investidor imobiliário e agropecuarista. Segundo o senador, ele pegou os R$ 300 mil emprestados e devolveu o restante R$ 1,9 milhão a Constantino.Da tribuna do Senado, Roriz perguntou ao colegas se era crime pedir dinheiro emprestado a um amigo. E constatou, espantado: "Imaginem se pedir dinheiro emprestado é falta de decoro. Meu Deus!". O PSOL entrou com uma representação contra o senador por quebra de decoro, alegando que as explicações dadas não são suficientes e que o desconto do cheque precisa ser investigado porque o BRB levou uma semana para comunicar a operação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) - a lei manda fazer a notificação de valores acima de R$ 100 mil em 24 horas.Segundo a Veja, além de confusas as explicações de Roriz para a compra da bezerra que se chama Miragem, o R$ 1,9 milhão foi usado para pagar suborno a dois juízes do TRE-DF, que teriam ajudado a absolver o senador. A revista diz que em conversa com o suplente dele ao Senado, Gim Argello, Roriz teria confirmado que precisou "comprar" a decisão do TRE - Argello leu a reportagem no sábado, passou mal e foi internado no Hospital Brasília. O placar inicial, diz a revista, estava em 3 a 2 contra Roriz, mas terminou em absolvição por 4 votos a 2 - os votos contra foram dos juízes Estevam Carlos Lima Laia e Romes Gonçalves Ribeiro.O advogado do PC do B, Luis Carlos Alcoforado, recorreu da decisão do TRE e entrou com um agravo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em março passado. O agravo ainda não foi julgado pelo TSE.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.