TRE condena deputado a três anos de inegibilidade

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo decidiu, por 4 votos a 2, tornar inelegível por três anos, a contar de outubro passado, o líder sindical e deputado federal Cláudio Magrão de Camargo Cre (PPS), por abuso do poder econômico durante as eleições de 2002. Ele só poderá voltar a se candidatar em outubro de 2005.A decisão, sobre a qual ainda cabe recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não afeta o atual mandato de Magrão, mas o impede de disputar as próximas eleições municipais. Magrão foi condenado por causa de reportagem e entrevista sobre ele, veiculadas em plena campanha eleitoral, em setembro de 2002, na Metal Revista, de 15 mil exemplares, publicada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco. De acordo com a decisão do TRE, o material veiculado na revista caracterizou "recebimento de doação vedada e abuso do poder econômico". Na denúncia da Procuradoria Eleitoral, que deu origem ao processo, Magrão é acusado de ferir a lei Lei nº 9.504/97. "É vedado, a partido e candidato, receber direta ou indiretamente doação em dinheiro ou estimável em dinheiro, inclusive por meio de publicidade de qualquer espécie, procedente de (...) entidade de classe ou sindical", diz a lei.Magrão afirmou, no início da noite de hoje, que recebeu "com surpresa" a decisão do TRE. "Além da minha, a revista publicou várias entrevistas com então candidatos, inclusive uma com o atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva", disse ele. "Portanto, acato a decisão mas vou recorrer."O deputado disse ainda que a sentença não atrapalha seus projetos políticos, pois ele "jamais pensou" em concorrer às eleições municipais. "Fui eleito para cumprir um mandato de quatro anos e meu projeto sempre foi o de concluí-lo", argumentou ele.

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