TRE cassa mandato de Pedro Henry por compra de votos

Deputada estadual Chica Nunes também é punida; seus advogados dizem que vão recorrer

Nelson Francisco, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2007 | 00h00

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Mato Grosso cassou na noite de quinta-feira o mandato do deputado federal Pedro Henry (PP) e da deputada estadual Chica Nunes (PSDB) por compra de votos, com base na Lei 9.840 (Lei das Eleições).Ambos teriam pago R$ 20,00 a moradores da periferia de Cuiabá para permitir a fixação de cartazes em suas residências, além de fornecer remédios e cobertores, conforme denúncia do Ministério Público, acolhida pela Justiça, para condicionar o votos aos dois parlamentares.A denúncia contra os deputados originou-se em um telefonema ao serviço de disque-denúncia do TRE. À Justiça, testemunhas sustentaram que uma servidora pública municipal subornou eleitores para votar nos dois deputados na eleição de 2006.Tanto Henry como Chica Nunes tiveram seus nomes citados em denúncia de desvios de dinheiro público. Henry é um dos 40 denunciados pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, ao Supremo Tribunal Federal (STF), no escândalo do mensalão - o esquema de pagamento de propina a parlamentares para que votassem a favor do governo - por crimes como formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, peculato e gestão fraudulenta. Tem ainda seu nome citado na máfia dos sanguessugas, esquema de venda de ambulâncias superfaturadas com dinheiro de emendas parlamentares, que envolveu deputados de Mato Grosso. Pedro Henry nega participação nas fraudes.Em 15 de março de 2006 Henry livrou-se de ter o mandato cassado pelo plenário da Câmara por conta da acusação de ser um dos operadores do mensalão. Ele obteve a seu favor 255 votos, contra 176 pela cassação, 20 abstenções e dois brancos. Chica Nunes responde a processo por improbidade administrativa quando era presidente da Câmara de Vereadores de Cuiabá.Procurados pelo Estado, os dois deputados se recusaram a dar entrevistas. Por meio de seus advogados, Mario Sá e Leila Lopes, informaram que vão recorrer. Henry e Chica Nunes tentaram sem sucesso impedir o julgamento por meio de mandado de segurança no Tribunal Superior Eleitoral.

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