Tratamento anti-aids pode combater Sars

Um especialista em Aids afirmou que o vírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) parece atacar as células humanas de modo semelhante ao da imunodeficiência humana (HIV), uma descoberta que poderá ajudar a tratar a nova doença.O norte-americano David Ho, diretor científico do Centro de Pesquisa de Aids Aaron Diamond, de Nova York, revelou no domingo em Hong Kong que já foram alcançados resultados promissores de testes laboratoriais em que o vírus daSars foi submetido a tratamento anti- HIV à base de inibidores de protease.Os testes preliminares mostram que estes péptidos, compostos por grupos de amino-ácidos usados para conter a propagação do HIV, "podem proteger as células contra a infecção pelo vírus da Sars", afirmou Ho em entrevista coletiva.O pesquisador, que deu uma contribuição pioneira ao tratamento de doentes de Aids com coquetéis de medicamentos, anunciou na mesma ocasião que embreve poderão ser iniciados testes com animais."Não estamos dizendo que estes medicamentos podem tratar os pacientes com Sars amanhã ou no mês que vem", advertiu David Ho, que está agora trabalhando com uma equipe do Departamento de Microbiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Hong Kong.O que se trata, explicou, é de um caminho para encontrar a cura para esta doença, de que ainda se sabe muito pouco. Um estudo do Instituto do Genoma de Cingapura divulgado na quinta-feira passada revelou que o coronavirus, da família a que pertence o vírus da Sars, não muda com a rapidez de outros do mesmo grupo.Segundo Edison Liu, daquele instituto, não foram registradas mutações significativas em 14 estirpes do vírus. Embora seja pouco provável que ele mude de uma forma mais benigna para os seres humanos, os cientistas consideram que esta sua estabilidade favorece a descoberta de uma cura universal. Para se saber mais, dizem ser agora necessário comparar várias sequências do vírus, de vários países.Outras interrogações sobre este novo vírus são quanto tempo vive no organismo, sabendo-se que é ativo pelo menos durante 21 dias em culturas de laboratório, e se a doença tornará endêmica, como a gripe.Veja o índice de notícias sobre a pneumonia atípica

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