Tratado sobre tabaco depende de EUA, Japão e Alemanha

A comunidade internacional conclui amanhã a última reunião do ano para a criação de um acordo para o controle do tabaco com pelo menos uma certeza: terão menos de seis meses para convencer os governos dos Estados Unidos, Japão e Alemanha, os três maiores produtores e exportadores de cigarro no mundo, a aceitarem as bases do tratado. Apesar de haver um vasto consenso entre muitos países em relação ao acordo, o grupo formado pelos três países está impedindo um avanço que poderia concluir as negociações. Além de diferenças quanto a veiculação de mensagens de alerta nas embalagens do cigarro, o problema fundamental de Alemanha, Japão e Estados Unidos se refere à regulamentação das propagandas do produto. Mais de cem países, inclusive os da Europa, defendem a proibição completa da publicidade. Alguns países, como o Brasil, porém, teriam dificuldades para implementar essa lei, já que a Constituição não permite banir a propaganda de um produto legalmente vendido. A solução encontrada pelos negociadores foi incluir no texto do acordo um artigo que isenta países que tenham dificuldade em mudar sua constituição. O artifício legal resolveria o impasse. Mesmo assim, Estados Unidos, Japão e Alemanha se recusam a aceitar qualquer tipo de menção à proibição das propagandas. Para as organizações não-governamentais, os demais 189 países que já estão de acordo com os termos do tratado deveria simplesmente afastar os governos da Alemanha, Japão e Estados Unidos das negociações e concluir o acordo de controle do cigarro. "Sem esses países, o mundo já poderia ter um acordo sobre o tabaco", afirmou John Seffrin, presidente da União Internacional de combate ao Câncer. Para ele, a busca de um consenso poderá "matar o acordo", já que os países terão que rever suas posições e enfraquecer alguns pontos do texto para conseguir convencer os três governos dissidentes a assinarem o acordo. O desafio, agora, está nas mãos do embaixador brasileiro Luis Felipe de Seixas Correa, que preside as negociações. O diplomata afirmou que tentará, até o último momento, acomodar os interesses de todos os países. "Temos que atrair esses países, caso contrário o acordo não será eficaz", afirmou Seixas Correa. Mas Seffrin questiona: "até quando vamos esperar para que os interesses de todos sejam acomodados". Ele teme que as diferenças entre a maioria da comunidade internacional e os três países acabem atrasando a implementação do acordo. Segundo Seffrin, um ano de atraso representaria a morte de quase 5 milhões de pessoas pelo uso do cigarro.

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