Transposição de águas fica para o próximo governo

O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, confirmou que a transposição do Rio São Francisco não será iniciada durante o mandato do Fernando Henrique Cardoso. Mas o projeto continuará constando do Avança Brasil, programa de obras do governo federal. "É uma sinalização política de que o governo deseja a obra, mas estamos convencidos de que passos precisam ser dados antes de partir para transposição", afirmou.A pior seca dos últimos 70 anos e os desmatamentos nas nascentes impedem, de acordo com o ministro, que neste momento se comece o desvio de um determinado volume de água do rio para abastacer Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. O projeto de transposição enfrenta resistências de Minas Gerais, Bahia e Sergipe, que passariam a dividir o rio com outros Estados do Nordeste.Sarney Filho revelou que, há cerca de dois meses, o presidente concordou ser necessário primeiro revitalizar o rio. No Dia do Meio Ambiente, comemorado em 6 de junho, o presidente enviou um projeto de lei para o Congresso destinando R$ 70 milhões para recompor matas ciliares e vegetação próxima a nascentes. Os desmatamentos nas nascentes e nas matas ciliares provoca o assoreamento do rio, causando enchentes e desvios do leito, explicou o ministro. A revitalização do rio ainda depende de investimentos em saneamento. Será exigido das prefeituras de cidades que poluem o rio com esgoto in natura que cessem essa prática. O comitê da bacia de São Francisco também já foi criado, para organizar o uso da água. Sem todo esse conjunto de medidas, observa o ministro, não há condições de iniciar a obra que levaria de quatro a cinco anos para ficar pronta, prazo superior ao que resta de mandato ao presidente Fernando Henrique Cardoso.

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