Transporte público perdeu 25% dos passageiros

O sistema de transporte Público no País perdeu, entre 1994 e 2001, 25% de seus passageiros para, em sua maioria, o transporte ilegal. O grande motivo, de acordo técnicos da área, é a falta de investimento no setor, que se tornou caro, ineficiente, de baixa qualidade e está concentrado nas mãos de poucos empresários.O levantamento faz parte de um estudo feito pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) realizado nas oito maiores capitais, apresentado nesta quarta-feira no seminário O futuro do transporte público e do trânsito no Brasil, no Centro de Exposições Imigrantes.Mesmo em decadência, o transporte público urbano metropolitano (ônibus, trem e metrô) arrecada R$ 15 bilhões em todo o País. De acordo com o levantamento, os 115 mil ônibus que existem no País deixaram de transportar, de 1994 a 2001, 16 milhões de pessoas. O número de passageiros caiu de cerca de 75 milhões para 59 milhões de pessoas transportadas por dia."O nosso grande desafio é tirar o transporte público dessa crise e dar uma qualidade muito superior à atual", disse nesta quarta o diretor-adjunto da ANTP, Eduardo Vasconcellos. De acordo com o levantamento, 63% das grandes cidades com mais de 300 mil habitantes têm transporte ilegal.Outro fator, ainda de acordo com o estudo, que contribuiu para a queda de passageiros transportados foi o aumento das tarifas em níveis superiores aos da inflação e a prioridade dada pelos governos aos automóveis, que são individuais, além da falta de investimento no transporte Público.Com isso, sugere o levantamento, cai a demanda e, proporcionalmente, aumentam os custos operacionais do sistema. "Com a queda da demanda do transporte público e o congestionamento, o custo do transporte público aumentou, a tarifa subiu", avalia Vasconcellos. "Isso exclui os mais pobres e os que não tem vale-transporte. O passageiro ou está a pé ou desistiu de fazer a viagem, ou seja, ele teve a mobilidade tolhida. Isso é muito grave."O estudo da ANTP aponta que a grande maioria, cerca de 50%, migrou para o transporte clandestino; uma outra parcela faz seus percursos a pé ou usa carro; e o restante não usa nenhum tipo de transporte.As propostas da ANTP e as opiniões dos especialistas presentes ao seminário serão consolidadas em um único documento que será enviado a todos os partidos políticos e suas prefeituras espalhadas pelo País.Para a ANTP, os empresários têm que mudar de postura e tratar os passageiros de ônibus como clientes, diversificando os seus serviços. "Nessa evolução do sistema de ônibus no Brasil, formaram-se pequenos grupos muito poderosos com grau de concentração de capital muito elevado", afirmou Vasconcellos.Nesta quinta-feira, os técnicos da ANTP estarão reunidos com técnicos americanos e europeus. O objetivo é saber como interferir nesse pequeno grupo que comanda o transporte de ônibus. "Isso envolve técnicas de licitação e regulamentação de transporte que podem ser mais abertas e, com isso, injetar gente nova no mercado."Além disso, a associação ainda sugere que os principais pontos para resgatar o passageiro são a diminuição da tarifa, a restrição ao uso inadequado de automóveis e a criação de serviços especiais para o transporte público.Para o presidente do Grupo Executivo de Gestão de Transporte Coletivo da Região Metropolitana de Goiânia, José Carlos Xavier Grafite, o modelo de transporte público praticado em São Paulo e grandes capitais é enrijecido e não se adequou às necessidades da população. "O transporte no País teve aumento de passageiros na década de 60 e 70. Na década de 80, esses números começaram a cair aos poucos, e as empresas não fizeram investimentos tecnológicos", afirmou o técnico em transporte.De acordo com Grafite, em Goiânia, uma parceria entre o Estado, Goiânia e as prefeituras da região possibilitou melhorias no transporte público. "Você trata a sua rede como uma só. Isso facilita muito o gerenciamento e a engenharia das linhas", disse. De acordo com o secretário municipal dos Transportes, Carlos Zarattini, a Prefeitura de São Paulo tentou fazer um convênio semelhante com o governo do Estado, mas a proposta não foi bem recebida, segundo o secretário, pelo governo estadual.

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