André Dusek/Estadão
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Transpetro prorroga licença de presidente por mais 30 dias

Citado na Operação Lava Jato como recebedor de 500 mil em propinas, Sérgio Machado está licenciado desde novembro

Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

05 de dezembro de 2014 | 18h17

Brasília - O Conselho de Administração da Transpetro aprovou nesta sexta-feira, 5, a prorrogação da licença do presidente da instituição, Sérgio Machado pelos próximos 30 dias. Ele havia pedido licença de 30 dias no início de novembro após a PriceWaterhouseCoopers, contratada para fazer auditoria do balanço da Petrobrás, ter se recusado a assinar o documento caso o presidente da Transpetro permanecesse no cargo.


Machado foi apontado pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa como envolvido em um esquema de corrupção que está sendo investigado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, no Paraná, Costa disse que recebeu R$ 500 mil em dinheiro das mãos de Machado, como parte do esquema de pagamento de propina envolvendo a Petrobrás.

O Presidente da Transpetro tem negado as acusações afirmando que são "levianas e absurdas".O Planalto, entretanto, já havia batido o martelo sobre sua demissão, mantendo a seu padrinho político, presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o poder de indicar o substituto, conforme noticiou Estado no último domingo.

A resistência do Planalto teria sido quebrada, ou pelo menos adiada, pela considerada bem sucedida atuação de Renan na votação da lei que flexibiliza o superávit primário e pela peregrinação que Machado fez em Brasília nas últimas terça e quarta-feira em busca de apoio político.

No Planalto, no entanto, apesar da prorrogação da licença, as informações são de que permanece a decisão de que não há a menor chance de Sérgio Machado retornar à presidência da Transpetro. Ele, por sua vez, não admite a hipótese de ser de demitido porque considera que esse fato o liquida politicamente, acabando com sua carreira política.

Machado é ex-deputado e ex-senador e estava à frente da subsidiária de logística da Petrobras, desde o início do governo Lula, há 11 anos. O ideal para Machado, na sua própria avaliação, é conseguir "empurrar com a barriga", se mantendo no cargo, enquanto as investigações prosseguem, acreditando que nada será provado contra ele.

A segunda hipótese, que neste momento acredita ser a mais viável, já que conseguiu prorrogar sua licença por mais 30 dias, é sair do cargo, junto com o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, no final do ano, com a chegada da equipe para o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Assim, na sua avaliação, a mudança seria considerada uma simples troca de ministro e seus respectivos subordinados.

Enquanto fica no cargo, o presidente licenciado continuará sendo substituído pelo diretor Cláudio Ribeiro Teixeira Campos.

Minas e Energia. Nessa quinta-feira, depois de a presidente Dilma embarcar para Quito, o ministro Edison Lobão esteve no Planalto. A notícia que existia por lá era de que a presidente pretende, na quarta-feira da semana que vem, após a aprovação da flexibilização das metas do superávit pelo Congresso, anunciar mais uma série de ministros, inclusive os do PMDB, que incluem a cota que ele representa.

As especulações são de que para o ministério de Minas e Energia irá o senador Eduardo Braga. Mas ainda há muitas indefinições no desenho das pastas a serem ocupadas pelo PMDB.

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