Transparência Internacional pede que Congresso aprove pacote anticorrupção do governo

ONG afirmou que medidas já deveriam ter sido implementadas antes, mas faz um apelo aos parlamentares para que iniciativas sejam aprovadas junto com a proposta de reforma política da OAB

Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

20 de março de 2015 | 18h51

Brasília - A Transparência Internacional, organização civil contra a corrupção, fez em nota um apelo para que o Congresso aprove o pacote anticorrupção proposto pelo governo federal na última quarta-feira, 18. O Planalto anunciou um pacote de sete medidas, plano prometido durante a campanha eleitoral.

O projeto é apontado pela organização como um plano com várias "medidas fortes", porém com ações que já "deveriam ter sido implementadas há muito tempo". "Entretanto, é apenas um modesto primeiro passo", aponta a Transparência Internacional, sobre o enfrentamento da corrupção no Brasil.

A ONG pede também que o Congresso aprove o projeto de lei de reforma política proposto pela Ordem dos Advogados do Brasil, para limitar doações empresariais aos partidos.

"Os brasileiros vêm demonstrando a sua indignação contra a corrupção generalizada em vários protestos. No último fim de semana, cerca de um milhão de brasileiros saiu às ruas para protestar contra a corrupção", diz a nota da Transparência Internacional. A Operação Lava Jato, que revelou o esquema de corrupção na Petrobras, é citado pela ONG que destaca as alegações de "suborno entre importantes políticos e empresas do País".

"Os brasileiros já sofreram demais sob um sistema onde um clientelismo desenfreado, uma abordagem ao combate à corrupção fragmentada e contribuições empresarias a campanhas políticas sem qualquer tipo de restrição se tornaram as marcas de um sistema político profundamente precário. O pacote anticorrupção oferecido pela Presidenta é um bom começo, mas não é suficiente por si só. Deve ser complementado por uma reforma política rigorosa", diz em nota o presidente da Transparência Internacional, José Ugaz.

A ONG cobra uma "reforma da administração pública" como essencial para livrar o Brasil da corrupção. Eles citam as nomeações políticas aos cargos de confiança, entre eles postos executivos da Petrobrás.

"Na última década, o Brasil deu grandes passos em direção à redução das desigualdades, mas a reputação dos seus políticos e do país em geral foi gravemente prejudicada pelo grande número de escândalos de corrupção. Somente um esforço conjunto e permanente contra a corrupção irá conquistar novamente a confiança dos brasileiros", diz Ugaz, na nota.

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