Transmissão para São Paulo começa na terça

Nova estação começará a operar apenas em sinal digital, no canal 63

, O Estadao de S.Paulo

29 de novembro de 2008 | 00h00

Burocracia para importação de equipamentos e espaço para distribuição de sinais congestionado tornaram mais longo o caminho para a TV Brasil plantar seu sinal na cidade de São Paulo. O sinal só chega à capital paulista (canal 63) a partir das 20 horas de terça-feira, quando a estação completa um ano, e só para quem tiver TV digital.Quem tiver receptor analógico - a imensa maioria dos paulistanos -, só conseguirá ver a TV Brasil dentro de alguns meses (pelo canal 62), se acoplar uma pequena antena especial à sua TV. O problema se explica: a geração do sinal será em UHF, sistema que é original da TV digital, mas não é bem captado pela TV analógica.Tereza explica que os transmissores importados para a TV Brasil de São Paulo inicialmente ficaram um bom tempo presos na alfândega. Após o cumprimento das exigências burocráticas, a emissora começou os testes na faixa que lhe fora destinada originalmente e topou com novos problemas."Quando colocamos no ar no canal 69, houve interferência na banda de operação telefônica da Nextel", afirma. "Tivemos que trocar de canal, e isso levou quatro meses. Mas aí tiveram que achar um canal, porque São Paulo é uma cidade com espectro eletromagnético bastante congestionado."Do 69, o canal digital da TV Brasil passou ao 63. O analógico, que era o 68, virou o 62. Tereza se queixa da existência de emissoras irregulares no Estado, ocupando lugares "bons" no espectro, e pede providências ao Ministério Público. "A TV Pública brasileira poderia ter um lugar melhor, né?", reclama. Muito pouca coisa da programação da TV Brasil deverá ser produzida em São Paulo, segundo Tereza. Mas há previsão de que alguns programas ao vivo, como o de Leda Nagle e o Atitude.com, atualmente apresentados do Rio, façam algumas transmissões a partir de São Paulo, para possibilitar a participação de convidados locais. "E vamos produzir uma revista cultural chamada Deslocado, que procura focar acontecimentos culturais fora do eixo convencional e será feita de São Paulo", explica ela. AUDIÊNCIANa transição para a nova programação, alguns programas das emissoras anteriores foram extintos. Foi o caso do Recorte Cultural e do Espaço Público, da TV Educativa do Rio, cujos cancelamentos geraram protestos na internet. A emissora também procurou inovar, fazendo transmissões do carnaval de rua no Rio, na Bahia e em Minas, das festas de São João no Nordeste e do Sete de Setembro em várias partes do Brasil. Outra transmissão da TV Brasil que o comando da empresa considera inovadora foi a das Paraolimpíadas. Tereza evita avaliar a audiência da TV estatal segundo padrões tradicionais, por considerar que a emissora tem muitos telespectadores espalhados que usam antenas parabólicas, que não entram na medição convencional de audiência. "O Faixa de Cinema já fez 4,9, já chegou a 7,5", diz, referindo-se aos índices no Ibope. "Quando exibimos Leila Diniz, foi de 4,9. A programação infantil, herdada da TV Educativa, com Menino Maluquinho, Turma do Pererê, Janela Janelinha, dá de 4 a 4,5. É uma audiência espetacular para os padrões da TV pública no Brasil, que sempre foi 1 ou menos de 1." Dados do Ibope fornecidos oficialmente pela EBC indicam que, entre 20 e 26 de novembro, o share do Repórter Brasil foi de 1,83%. "Então, não gosto da palavra traço, porque teria que ser bem perto de zero", diz Tereza.

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