Alex Silva|Estadão Conteúdo
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‘Transitoriedade não é útil ao País’, afirma Temer

Presidente em exercício diz que antecipação do desfecho do processo de impeachment seria em ‘benefício’ do Brasil

Tânia MonteiroCarla Araújo / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2016 | 22h43

O presidente em exercício Michel Temer afirmou que a “situação de transitoriedade” de seu governo “não é útil” para o Brasil e antecipar a conclusão do processo de impeachment seria uma medida “em benefício do País”. As declarações foram dadas ao programa SBT Brasil exibido na noite desta quinta-feira.

“Eu soube que o Senado quer antecipar (o impeachment) e antecipar em beneficio do País”, afirmou Temer. “Convenhamos, com muita franqueza: ficar nessa situação de transitoriedade não é útil para o País, não é útil para a senhora presidente (afastada Dilma Rousseff), que fica fazendo naturalmente campanha para tentar voltar, e não é útil para governo, porque as pessoas olham ainda como se o governo fosse ainda episódico, fosse transitório.”

Apesar de defender a conclusão do processo o quanto antes, Temer afirmou não fazer articulações para tanto, nem para confirmar o afastamento definitivo de Dilma. “Em relação ao Senado eu vou fazer tal e qual eu fiz no episódio da Câmara: eu não entusiasmei ninguém a votar em uma ou em outra posição”, disse. O presidente em exercício afirmou que, embora receba senadores em seu gabinete, não trata “absolutamente nada” relacionado ao impeachment.

O desfecho do impeachment tem preocupado o governo Temer. Antes considerado favorável aos atuais ocupantes do Planalto, o placar do Senado tem demandado atenção dos articuladores do presidente em exercício. O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, reconheceu ontem que há “dificuldades” que precisam ser superadas e defendeu um desfecho do processo “o quanto antes”.

Placar. Em 12 de maio, quando o Senado votou pela admissibilidade do impeachment, dos 81 senadores, 78 estiveram presentes, dos quais 55 votaram a favor e 22, contra. Bastava maioria simples (41) para o afastamento de Dilma. Agora, para a cassação do mandato da petista, são necessários 54 votos.

“Preocupa o governo, sim. Há muita preocupação. Mas esse é um placar que só vamos conhecer 24 horas antes da votação”, disse Padilha, para quem “quando se pensa em tempo numa votação deste porte, uma hora antes é quase uma eternidade”. “Há muitas variáveis que ainda estão sendo consideradas, mas a premissa maior é que a vontade da população brasileira vai ser cumprida”, afirmou o ministro da Casa Civil.

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