?Transição conservadora?, ?regressista?. A esquerda do PT ataca

Deputados de correntes de esquerda do PT chegaram hoje para a reunião da bancada do partido na Câmara com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, com alguns pontos que discutiram em reunião prévia, ontem à noite. O deputado eleito Chico Alencar (RJ), considerado independente, informou que é majoritária, na bancada, a preocupação com a "transição conservadora" que está sendo feita pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, alguns procedimentos conservadores na política econômica foram iguais ou mais profundos do que os adotados pelo governo Fernando Henrique Cardoso. Ele citou a promessa de aumento do superávit primário além daquele negociado com o FMI, a proposta de autonomia do Banco Central e o aumento da taxa básica de juros (Selic). "Entendemos que a área econômico-financeira está mais conservadora e, até, regressista", disse Alencar. Outro consenso verificado na reunião de ontem à noite, segundo Alenar, foi quanto ao direito, dentro do PT, ao debate a à crítica. O de putado João Batista Oliveira de Araújo, conhecido por Babá (PA), da Corrente Socialista dos Trabalhadores, afirmou que as preocupações do grupo "são justas". "Estão querendo centralizar a gente sem discussão nenhuma", reclamou. "Assim não dá! O capital financeiro não pode definir o que vamos dizer aqui. Queremos enfrentar o capital financeiro". A deputada eleita Luciana Genro (RS), do Movimento Esquerda Socialista, disse que o propósito do grupo é ajudar o governo. "Existem diferentes matizes. Sou uma deputada federal que quer ajudar o governo a acertar e, portanto, tenho de fazer uma crítica construtiva", afirmou. Da reunião prévia de ontem à noite participaram cerca de 25 parlamentares petistas, entre eles a senadora Heloísa Helena (AL). PreevidênciaO deputado Chico Alencar criticou o enfoque dado pelo governo à reforma da Previdência. Em nota distribuída na reunião da bancada do PT na Câmara, ele sustenta que foi um erro de procedimento dar o mesmo enfoque do governo anterior ao assunto, de que, com o déficit da Previdência, nada no País caminha. Segundo Alencar, isso suscitou corporativismos, de um lado, e discurso conservador de um Estado mínimo, de outro. "Sem uma perspectiva abrangente de reforma democratizante do Estado e nova concepção de poder público, a reforma da Previdência, bem como a tributária e, até a política, servirão apenas aos interesses dominantes há séculos", sustenta. O deputado João Batista de Oliveira de Araújo disse que setores da esquerda do PT consideram que deve ser prioritária a reforma tributária e que a reforma da Previdência não pode atingir direitos conquistados historicamente. Sem José DirceuAo contrário do que havia sido anunciado, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, não participa da reunião da bancada do PT na Câmara. Segundo a assessoria da Liderança do PT, Dirceu justificou a ausência informando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lhe passou muitas atribuições para hoje de manhã e que, à tarde, ele participará, no Rio de Janeiro, de reunião do Conselho Administrativo da Petrobrás. A liderança do PT informou, ainda, que o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, que já participa da reunião da bancada, deverá deixar a reunião dentro de aproximadamente uma hora para viajar ao Rio de Janeiro, pois também é membro do Conselho Administrativo da Petrobrás e também deverá participar, hoje, de sua reunião. Veja o índice de notícias sobre o Governo Lula-Os primeiros 100 dias e o Congresso

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