Transgênicos e parcerias são destaque da cúpula Brasil-EUA

Os Estados Unidos aproveitam a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus ministros a Washington para fazer demandas na área agrícola, o tema mais sensível para o Brasil nas negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). A liberação dos transgênicos, a exploração conjunta por Brasil e Estados Unidos de terceiros mercados para produtos agrícolas e a importância do apoio brasileiro nas negociações multilaterais contra os subsídios europeus à agricultura são os destaques da pauta de reuniões que a comitiva brasileira têm nesta sexta-feira em Washington.O tema transgênicos - cujo cultivo ainda é proibido no Brasil - será tratado de forma especial no encontro que acontece hoje entre o ministro Roberto Rodrigues e a secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Ann Veneman.Segundo Ellen Terpstra, diretora do área externa do Departamento de Agricultura dos EUA, Washington vai defender, ante as autoridades brasileiras, que a biotecnologia resulta em maiores colheitas, menores custos com insumos, avanços na área ambiental e, sobretudo, "novos mercados para os produtores rurais", como indústria farmacêutica, combustíveis, componentes industriais e alimentos mais nutritivos.O argumento que Washington considera mais convincente, e que será exposto à equipe brasileira, é o de que os transgênicos ajudam a reduzir a fome mundial - tema sensível ao governo Lula. Segundo dados da própria secretária Veneman, 800 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de fome crônica e um terço das crianças são mal-nutridas. Os Estados Unidos também reforçam hoje ao Brasil a importância da exploração conjunta (parcerias) de terceiros mercados agrícolas onde os dois países competem. Um exemplo é a soja. Juntos, Brasil e EUA respondem por 77% da produção mundial, volume muito acima da capacidade de absorção das duas nações. "Por isso mesmo, os dois países devem expandir em conjunto os mercados internacionais", afirmou Ellen, em discurso na Câmara de Comércio dos Estados Unidos.Sob o argumento de que Brasil e Estados Unidos deveriam aproveitar a co-presidência do processo da Alca para reforçar os laços de cooperação, os Estados Unidos reiteram que dois países devem trabalhar juntos na Organização Mundial do Comércio (OMC) para a eliminação dos subsídios europeus à agrícultura.

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