Transformista na Assembléia pode render cassação

Deputado paulista Waldir Agnello quer cassar o colega Carlos Giannazi, que levou travesti ao plenário da Casa

Marta Cury Maia, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2007 | 00h00

O deputado estadual paulista Waldir Agnello (PTB) pediu a cassação por quebra de decoro do colega de Assembléia Carlos Giannazi (PSOL). O que motivou o pedido à Comissão de Ética foi a apresentação de um transformista, no Plenário D. Pedro I, num evento organizado por Giannazi, no lançamento da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Comunidade GLBTT (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros), no dia 24 de outubro."A posição do deputado significa uma volta às trevas, à Idade Média, na questão comportamental, no sentido da intolerância", disse o deputado do PSOL. Ele ainda não foi convocado para apresentar sua defesa.Giannazi explicou que a frente parlamentar que ele preside foi criada para combater a homofobia e propor leis para coibir o preconceito. "O Estado de São Paulo é um dos mais homofóbicos", afirmou.O Estado não conseguiu falar ontem com Agnello. Anteontem, o petebista justificou sua posição à TV Globo, que exibiu imagens da performance do transformista. "Roupas mínimas, calcinha e sutiã, para uma mulher já seria inadequado. Para um homem, continua sendo inadequado também", afirmou. "Podem usar nos lugares, digamos, privados, mas num lugar público não. Aqui é a casa do povo. Por isso, tem que ser respeitada e respeitar todos os tipos de pessoas que temos aqui. Foi um sentimento de repúdio ver uma dança, um strip-tease feito aqui", completou.O transformista apareceu primeiro com uma capa preta. Por baixo, um minúsculo biquíni. Num segundo momento da apresentação de dança, vestia um espartilho.Para Giannazi, trata-se de "falso moralismo" e "intolerância com a diversidade sexual". "Se fosse uma passista com roupas íntimas, aí tudo bem. Se fosse uma bailarina, tudo bem", disse.Giannazi afirmou que será um "contra-senso" a Assembléia puni-lo. "Quebra de decoro é corrupção, é clientelismo, é não investir em educação."

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