Traições marcam votação, mas sem mudar tendência

Bloco pró-Viana somava 38 votos, mas na contagem final petista só teve 32

Ana Paula Scinocca, Denise Madueño, Eugênia Lopes e Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

03 de fevereiro de 2009 | 00h00

Quem mais esperava por traições para se eleger mais vitimado foi por ela. O arco de alianças do senador Tião Viana (PT-AC) - formado pelos partidos PT, PSDB, PDT, PSB, PRB, PR e PSOL - contabilizava 38 votos.O petista esperava pescar no PMDB, de José Sarney (AP), os três votos restantes para se eleger. Mas abertas as urnas, Viana obteve apenas 32 votos.As quatro primeiras baixas ocorreram ainda na noite de domingo, quando o PR migrou com seus votos para a candidatura de Sarney. O PSDB, que fechara questão em favor do petista, contribui com uma traição declarada. O senador tucano Papaléo Paes (AP) preferiu seu padrinho, Sarney, eleito com 49 votos. "Foram votos leais, solidários e espontâneos, não me cabe ter ressentimentos nem querer achar culpados", disse Viana. Na Câmara houve traições que até migraram para os azarões - Ciro Nogueira (PP-PI) e Aldo Rebelo (PC do B-SP) - , mas num fluxo menos intenso do que o esperado pelos adversários de Michel Temer (PMDB-SP).Apoiado por 14 partidos, que somavam 423 deputados, Temer recebeu menos votos do que seus aliados contabilizavam. "Realmente houve uma defecção 10% maior do que esperávamos", admitiu o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS), um dos coordenadores da campanha do peemedebista. A equipe de Temer estava certa de que o candidato teria 340 votos. O peemedebista, porém, foi eleito pela terceira vez presidente da Câmara com 304 votos.AMEAÇASOs aliados de Aldo contavam que ele teria pelo menos 130 votos, quase o dobro do que obteve (76 votos), e que a disputa seria transferida para o segundo turno. "No último dia houve uma presença muito forte dos presidentes e dos líderes dos partidos (que apoiaram Temer), ameaçando os deputados de fazer intervenção nos diretórios de seus Estados", disse o deputado Sílvio Costa (PMN-PE), um dos coordenadores da campanha de Aldo. A herança política de Severino Cavalcanti (PP-PE) mais atrapalhou do que ajudou Ciro Nogueira na disputa pela presidência da Câmara. Em campanha há praticamente três anos (desde que Severino renunciou em 2005 ele almejava assumir a vaga deixada pelo padrinho), Ciro não conseguiu unanimidade sequer entre o baixo clero - como são chamados os deputados de menor expressão política -, onde é conhecido por seus métodos, entre os quais a distribuição de brindes para arregimentar eleitores. CHAMPANHENo fim do ano, chegou a presentear colegas de Câmara com garrafas de champanhe e gravatas. Ontem, teve um desempenho considerado pífio. Recebeu apenas 129 votos, o equivalente a 25,34%, o que foi insuficiente para levar a disputa ao segundo turno.

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